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Habitat no mínimo extraordinário.


Nesta seção observamos como a fauna insular e marítima é diversificada. Aves, peixes, seres marinhos, répteis, mamíferos, etc... Muitas são as espécies espalhadas pelos vários ecossistemas da Ilha.


 

A fauna da ilha

 

 

A diversidade de ambientes da Ilha de Santa Catarina proporciona condições para uma fauna abundante. Destaca-se dentre esta a fauna aquática, por apresentar possibilidade de exploração comercial e encontrar grande variedade e abundância de ambientes, seja marinhos ou de água doce, para seu bom desenvolvimento. São, no entanto, escassos os estudos de levantamento de espécies dos vários grupos faunísticos da Ilha, seja da fauna aquática ou da terrestre, contrastando com a situação da vegetação, mais bem estudada.

Dentre a fauna aquática os crustáceos (siris, camarões e caranguejos) são importantes componentes. Na Ilha são encontradas 3 espécies de camarões de água doce (pitús) do gênero Macrobrachium (M. acanthurus, M. carcinus e M. olfersii), todas ocorrentes na Lagoa do Peri.

São comuns pelo menos 2 espécies de siris, Callinectes danae e C. sapidus, encontradas no manguezal do Itacorubi e em outros ambientes, além de várias outras espécies de caranguejos, sendo algumas comestíveis.

Outro grupo importante da fauna aquática é o dos moluscos. Nos costões e praias da Ilha são encontradas 139 espécies de moluscos, sendo 81 de bivalves (de duas conchas) e 58 de gastrópodas (tipo búzio). Entre as espécies mais importantes economicamente, exploradas para a alimentação e comercialização pela comunidade estão os bivalves Ostrea equestris, O. puelchana e Crassostrea rhizophorae (espécies de ostras), o marisco ou mexilhão Perna perna e o berbigão Anomalocardia brasiliana, além de lulas e polvos. A criação e exploração comercial destes moluscos encontram grande potencial para desenvolvimento nas Baías Norte e Sul da Ilha. Porém, como estes animais são filtradores, apresentam grande possibilidade de contaminação por coliformes fecais e totais, devido o não tratamento dos esgotos da Ilha. A despoluição das Baías poderia impulsionar esta atividade econômica, colocando-a como alternativa de sustento às populações de pescadores artesanais, como já vem acontecendo em locais das Baías onde os índices de poluição ainda são toleráveis (informação pessoal do Dr. Jaime Ferreira do Laboratório de Mexilhões da UFSC)

Os peixes também encontram excelentes ambientes para um bom desenvolvimento na Ilha, seja nas suas baías, lagoas manguezais, ou na costa leste, onde encontram alimentos nos diversos costões. Entretanto, não encontra-se um levantamento completo das espécies. Em levantamentos ainda parciais, foram registradas na Ilha cerca de 16 espécies de raias de 8 distintas famílias.

Quanto aos répteis (cobras, lagartos e tartarugas) não se encontra nenhum levantamento de espécies publicado, nem mesmo parcial. Entretanto, na Coleção Herpetológica da UFSC, na Divisão de Zoologia do Depto. de Biologia, encontram-se armazenadas e catalogadas cerca de 30 espécies entre cobras e lagartos, coletadas nas diversas localidades da Ilha. Dentre as cobras destaca-se as 3 únicas espécies venenosas existentes na Ilha, a jararaca (Bothrops jarara), a jararacussu (B. jararacussu) e a coral (Micrurus coralinus). Outra espécie a ser destacada é a do jacaré-do-papo-amarelo (Caiman latirostres), incluída na lista das espécies da "fauna brasileira ameaçada de extinção" (BERNARDES, et al., 1990) , antes muito abundante na Lagoa do Peri, onde se encontra quase extinto. Ocorre atualmente principalmente nos banhados do norte da Ilha, próximo a manguezais.

Igualmente a maioria dos grupos faunísticos da Ilha, as aves não possuem um levantamento de suas espécies publicado. Porém, Lenir A. do Rosário, uma das autoras da lista de aves de Santa Catarina, aponta, em caráter de informação pessoal, uma relação preliminar de cerca de 176 espécies de aves, dentre as quais 24 espécies são ligadas a ambientes aquáticos (banhados, lagoas e costa marinha), sendo saracuras, garças, marrecas, gaivotas e outras 18 espécies migratórias que visitam a Ilha em diferentes épocas, tais como pinguins, albatrozes, pombas e etc.

Dentre os mamíferos destaca-se os mamíferos marinhos que são os mais estudados, pelos pesquisadores do LAMAq (Laboratório dos Mamíferos Aquáticos da UFSC). Foram já registradas 3 espécies de baleias, baleia franca, baleia minke e baleia sei, além do cachalote e outras 8 espécies de golfinhos, entre as quais destacamos Sotalia fluviatilis que apresenta uma população residente no noroeste da Baía Norte. Além destes cetáceos, ocorrem também, de forma ocasional, focas, leões e lobos marinhos. É muito comum estes animais morrerem ao ficarem presos em redes de pesca.

Entre as espécies terrestres pode-se destacar as de médio e grande portes, ocorrendo ainda atualmente: gambá, tamanduá-mirim, tatú-mulita, tatu-galinha e tatu-de-rabo-mole, macaco-prego, graxaim (cachorro-do-mato), quatí, mão-pelada, irara, lontra, paca, cutia e ratão-do-banhado. Foram extintas espécies como tamanduá-bandeira, bugio, puma, onça, jaguatirica, gatos-do-mato (3 espécies), anta, porco-queixada, porco-cateto, cervo-do-pantanal, veado-campeiro, veado-mateiro e a capivara. Estas espécies, que ocorreram em diferentes níveis de abundância na Ilha, foram extintas pela grande destruição de seus habitats (desmatamento) e pela caça implacável dos exemplares restantes e isolados em pequenas áreas de matas.

As espécies extintas localmente na Ilha não puderam recolonizar suas matas devido a barreira formada pelas baías Norte e Sul que separam a Ilha do continente, além do avançado grau de alteração na região litorânea do continente. A fragmentação dos ambientes na Ilha, provocada pelo isolamento de pequenas áreas de florestas, pelas áreas urbanas e rodovias, aumenta ainda mais as chances de extinção de espécies, uma vez que pequenas áreas muitas vezes não são suficientes para comportarem populações viáveis de algumas espécies (ver mapa em anexo). Além deste grave problema a caça predatória ainda ocorre nas matas da ilha, se bem que esta atua principalmente sobre aves, que são capturadas e comercializadas vivas pelos chamados "passarinheiros". Mas a destruição, fragmentação e isolamento dos ambientes continua sendo a principal ameaça para a fauna de mamíferos e dos demais grupos. Este processo é promovido atualmente pela expansão urbana, que é desordenada ou não segue um planejamento ambiental que considere esta variável. Este processo de destruição e fragmentação dos ambientes, antigamente causado pela expansão da agricultura, atualmente assume um caráter mais destrutivo para a fauna, pois além do ambiente urbano ser mais adverso para a fauna e portanto mais excludente desta, a ocupação hoje se dá de forma definitiva, pois a vegetação ou os ambientes como um todo, não podem regenerar sob um loteamento, uma avenida ou mesmo uma cidade.

 

 



Caracterização e Conservação dos Ecossistemas da Ilha de Santa Catarina.

Texto elaborado por José Olimpio.

Uma Cidade numa Ilha. CECCA. Florianópolis: Editora Insular, 1996.