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Festa popular ou religiosa? Eis a questão. Nesta seção desfilam as principais manifestações culturais ligadas às festas de cunho popular e religioso. Pode-se dizer que, na maioria, confundem-se simplesmente pelo fato da festa religiosa ter o objetivo de reunir o povo da região na reflexão dos temas religiosos. Normalmente, as pessoas participam, auxiliando na organização, fornecendo doces e quitutes ou ainda doando dinheiro ou brindes para serem sorteados no evento. Atualmente estas festas oferecem outros atrativos como: música, parques de diversões e um forte comércio ambulante. Descaracterizando, muitas vezes, por completo, a finalidade principal do evento, a religiosidade.
Inclui-se as procissões por se fazerem presentes nas festas de cunho religioso.
Festa de Nossa Senhora dos Navegantes fevereiro - todo município
Carnaval
da Gente Eventos Comemorativos a Emancipação Política de Florianópolis março
- todo município março
- Centro junho
- Centro julho
- Barra
da Lagoa (gastronomia,
artesanato e danças típicas) setembro - Vão central do Mercado Público - Centro
Exposição Itinerante de Saint-Exupèry (hidroavião) outubro - Trapiche da Beiramar Norte Criança
da Gente 04
à 12 novembro - Centro Integrado de Cultura/CIC e espaços públicos
Festas Juninas
A origem das festas juninas se pode buscar em uma das montanhas da Judéia, quando as Sagradas Escrituras nos contam sobre a visitação de Maria Santíssima a sua prima Santa Izabel; ocasião em que ambas estavam grávidas, sendo que Izabel estava com a gravidez adiantada três meses da de sua prima Maria. Naqueles tempos, essas aproximações de amizade eram difíceis devido a falta de condução e a longa distância que moravam uma da outra. Ao se despedirem, Izabel prometeu a Maria que, no dia em que o seu filho nascesse ela mandaria acender uma grande fogueira para que toda a Judéia soubesse do ocorrido. Presume-se que desta estória tenham nascido as festas juninas, comemoradas em todo o mundo. As festas juninas eram comemoradas nos dias 12 e 13 de junho em homenagem a Santo Antônio de Lisboa; 23 e 24 de junho em homenagem a São João Batista, o filho de Izabel, prima de Maria Santíssima. Os dias 28 e 29 de junho são dedicados aos apóstolos São Pedro e São Paulo. Em julho, os dias 25 e 26 foram dedicados a Sant'Ana, avó de Jesus Cristo. Nos dias 5 e 6 de agosto as festas são comemoradas em homenagem ao Senhor Bom Jesus de Iguape. Em setembro, nos dias 28 e 29 foram dedicados ao Arcanjo São Miguel. Para a comemoração das festas Juninas, promoviam-se os novenários acompanhados de fogueiras, onde se assava tainhas na brasa, cana de açúcar, batata doce, aipim e outras guloseimas. Oferecia-se café, batata com melado, cará do chão, rosca de polvilho, broas, beijús, rosca de massa, cuscuz e bolos de farinha de milho assados na folha da bananeira. Realizavam leilões de vários objetos, aves e animais.Estas festas aconteciam tanto nas igrejas conto nas casas particulares, sendo que nas festas realizadas nas igrejas eram cobradas taxas para a sua manutenção. Gera1mente os capelães eram pessoas da comunidade que apresentavam maior grau de habilidade social. As novenas eram quase todas rezadas em latim. Cada capelão usava o latim de acordo com sua modesta cultura regional. Tanto nas igrejas ou capelas, como nas casas particulares, era costume acender grandes fogueiras em lugar de destaque com diversas funções: geralmente por ser inverno na ocasião das festas elas serviam para aquecer o grande número de pessoas presentes nos festejos; servia como iluminação principal; servia também para assar em suas brasas, o peixe, a batata doce e o aipim. A fogueira era o centro de atração e observava-se o tamanho, a altura e a beleza na colocação da lenha formando uma torre. Em volta da fogueira cantava-se, dançava-se e realizavam-se inúmeras brincadeiras e jogos. As praças e quintais eram ornamentados com palmeiras e arcos de bambu, além do colorido das bandeirolas de papel que cobriam todo o espaço destinado a festa. Na iluminação empregavam pedaços de bambu com três canudos, onde cada um deles tinha um furo. Por estes furos colocavam o querosene e se introduzia um pavio de fio de algodão com um bocal de folha de flandre. Daí obtinham a iluminação para os festejos, além da fogueira que ardia toda a noite, também usou-se para obter iluminação, o azeite de peixe, o azeite de mamona, o azeite de nozes de nogueira colocados em vasilhames com um pavio de fio de algodão num bocal de metal. Estas festas se realizavam nas casas onde se homenageavam o santo aniversariante. Era costume criarem uma irmandade nas casas particulares, possibilitando assim, angariarem fundos para custearem as despesas com as novenas, fogos e comestíveis. As irmandades eram compostas de juízes e mordomos. Era tradicional se fazer depois das novenas o anúncio dos nomes dos festeiros do ano seguinte. Esperavam com muita ansiedade as escolhas que se faziam anunciar entregando aos novos mordomos e juízes uma vela acesa significando assim, a entrega do título, que eram aceitos com muita honra e orgulho. Também era muito usado retirar a imagem do altar e no mesmo salão, quando nas casas particulares, realizarem um baile. Os instrumentos mais usados eram a gaita, o violão e o violino. Contratavam cantores repentistas que animavam a festa noite à dentro. Era comum soltar fogos de artifícios que eram feitos do tronco da embaúba, por ser oco. Nele colocava-se pólvora, ateava-se fogo causando grandes estampidos. Eram chamados de trabucos. Havia também os foguetes de vara com duas ou três bombas, rojões, os famosos busca-pés, além de inúmeros e tradicionais balões feitos com papel de seda coloridos de tamanhos variados. Também colocavam nas fogueiras as folhas do abricó, mangue formiga, bambu, capororoca e o araçazeiro que no contato com o calor provocam estralos (estalos) festivos. Havia uma crendice de que as brasas acendidas para homenagear São João não queimavam. Por isto várias pessoas descalçavam-se, calmamente pisavam sobre as brasas e atravessavam de um lado ao outro da fogueira sem se queimarem. Nas vésperas das festas de São João e Santo Antônio, era hábito as moças solteiras tentarem ganhar sorte para obterem um casamento imediato e feliz. Em volta da fogueira dançavam sempre a Ratoeira. As festas não se restringiam apenas ao período noturno, mas também durante todo o dia. Os jogos eram os mais variados e para todos eles havia sempre um prêmio. Realizavam brincadeiras como: subir no pau-de-sebo, a corrida do saco, o jogo do mingau, o quebra-pote, a linha na agulha, a corrida dos pés amarrados, a corrida do ovo na colher, o jogo da galinha, o jogo com melado e farinha, o jogo dos sapatos trocados, o rabo do burro ou do porco, entre outras. Algumas quadrinhas tradicionais para Santo Antônio casamenteiro, por Franklin Cascaes. Encostado na jaqueira Eu falei com o meu bem Só cantei pra Santo Antônio Mas não contes prá ninguém Da cana se faz melado Da mandioca farinha Meu querido Santo Antônio Quero casar com a Aninha Da cana se faz cachaça E da mandioca caroera Livra-me ó bom Santo Antônio De mulher mexeriqueira Já me fizestes sofrer Já me fizestes chorar Eu fiz queixa a Santo Antônio Agora vou me vingar Toda vez que vou na fonte Sinto cheiro de jasmim Faço rogos a Santo Antônio Pra arranjar um bem pra mim Santo Antônio eu te mando Uma carta de atenção Pra pedir-te um namorado Mesmo que seja algum Tião Tenho uma peneira nova Mode peneirar caroeira Santo Antônio bem me cases Não quero viver solteira Santo Antônio ingrato Eu, vou roubar o teu filho Me mandaste um namorado Com cabelo cor de milho Botei salsa no telhado Prá Santo Antônio orvalhar Com lágrimas do meu bem Que tantas fiz derramar Na noite de Santo Antônio Vou acender uma fogueira Não quero casar contigo Prefiro morrer solteira Escrevi pra Santo Antônio Quando voltei da Lisboa Mode arranjar um patrão Pra dirigir alinha canoa A vida de solteirona É vida desconsolada Querido Santo Antônio Me desvia desta cilada Hó estrelinha brilhante 0rnamento lá do céu Pede prá Santo Antônio Encomendar o meu véu Em cima daquele morro Tem um pé de samambaia Santo Antônio tô assustado De vêr tanta mini saia.
Depoimento José Simão – Caieira "...
As festas na Lagoa eram boas. levaram também o Espírito Santo, Santo
Amaro, a Santa Custódia...
Festa da Santa Cruz
Santas Cruzes
As
santas cruzes são um dos marcos históricos-culturais mais antigos na
Ilha de Santa Catarina. Herança portuguesa presente em todo o País,
faz alusão à primeira missa no Brasil, celebrada pelo frei Henrique de
Coimbra - uma das primeiras providências tomadas pelos descobridores da
nova terra. Além da proteção divina, tinham como objetivo consolidar
a fundação e delimitar o espaço físico de um novo povoado. Serviam
de altar para novenários e como locais para celebrações variadas, além
de serem garantia de proteção contra seres fantásticos como bruxas e
lobisomens. Na
década de 60, o pesquisador da cultura popular Franklin Joaquim Cascaes
documentou todas as santas cruzes existentes na Ilha. Encontrou 36
delas, em sua maioria feita de madeira, com elementos decorativos que
variavam de uma comunidade para outra. A Festa de Santa Cruz acontecia
de 2 para 3 de maio e, no decorrer do ano, outros festejos que duravam
de três ou quatro noites, quando as cruzes eram enfeitadas com
bandeiras. Antigamente, todas as comunidades do interior da Ilha tinham
pelo menos uma santa cruz, em cuja simbologia estavam todos os elementos
da paixão e morte de Cristo. Atualmente, há poucas unidades, como a da
praia do Saquinho, no Sul da Ilha, onde está uma das mais completas
santa cruzes, em que a celebração constitui-se na única festa anual,
com novenas combinando rezas, música, dança e bebida.
Elementos decorativos e simbólicos na Santa Cruz
-
Coroa de espinhos, que simboliza o flagelo de Cristo. -
Coração com chamas de fé. -
Galo, que simboliza a omissão a Cristo quando São Pedro nega tê-lo
conhecido. -
Martelo, utilizado para cravar os pregos nas mãos e pés de Cristo. -
Pregos ou cravos. -
JNRJ ou INRI, inscrição que significa Jesus Nazareno Rei dos Judeus. -
Resplendor, luz espiritual do Santo Cristo. -
Lança dos soldados romanos que transpassou o sagrado coração de
Jesus. -
Escada utilizada para retirar o corpo de Cristo da cruz. -
Torquês utilizada para arrancar os pregos que prendiam as mãos e os pés
de Cristo. -
Canas, que serviam como cetro quando Cristo foi torturado e intitulado
rei dos judeus. -
Corneta, que servia como arauto anunciando a morte de um condenado. -
Cálice onde foi recolhido o sagrado sangue de Cristo. - Ossos humanos. Diz a lenda que, quando Cristo agonizava na cruz, no Monte Calvário, houve uma grande tempestade. A erosão escavou na base do Monte alguns ossos que seriam de Adão.
Santas cruzes já registradas na Ilha de Santa Catarina
Trindade, Itacorubi, Saco Grande, Santo Antônio de Lisboa, Sambaqui, Barra do Sambaqui, São José da Ponta Grossa, Canasvieiras, Cachoeira do Bom Jesus, Ponta das Canas, Ingleses, São João do Rio Vermelho, Vargem do Bom Jesus, Vargem Grande, Barra da Lagoa, Fortaleza da Barra, Retiro da Lagoa, Lagoa da Conceição, Canto da Lagoa, Campeche, Morro das Pedras, Costa de Dentro, Pântano do Sul, Saquinho, Costeira do Ribeirão da Ilha, Porto do Ribeirão, Alto do Ribeirão e Carianos.
Festa da Santíssima Trindade e da Laranja
Ainda não se tem com precisão a data do início dos festejos. Em pesquisa recente, já em 1857, havia uma "festança", com Imperador do Divino, leilões e muito cavalo pastando no adro da igreja...", como publica o jornal "O Argos", de 21/07/1857, citado por Oswaldo Cabral. Com base nesse documento, o mais antigo conhecido, a comissão que organiza a Festa resolveu considerar o ano de 2001 como o da 144ª edição do evento.
Festa de Nossa Senhora dos Navegantes
Em fevereiro, normalmente na segunda semana antes do Carnaval, ocorrem as festas de N. Sra. dos Navegantes. A festa de Navegantes é uma procissão de barcos enfeitados que levam a imagem da santa protetora dos pescadores. Na Ilha tais festas são tradicionais nos Ingleses e Pântano do Sul, embora se realizem com mais freqüência, nas cidades do litoral fronteiriço. Estas festas religiosas costumam reunir ao mesmo tempo cortejos, celebrações, quermesses, diversões e foguetórios. N. Sra. de Navegantes, o Senhor dos Passos, Santo Antônio dos Anjos e N. Sra. da Lapa do Ribeirão constituem os chamados "santos padroeiros do mar". Note-se que neste período que vai de fevereiro a maio ocorre o defeso do camarão, a principal atividade do pescador, que assim, permanece na comunidade depois de vários meses de ausência.
Boi-na-Vara e a Farra-do-Boi
Entre as tradições açorianas que o ilhéu mais cultiva, está a farra-do-boi que ocorre na época de Páscoa. Na Ilha, na área rural, a cerca de 50 anos, ainda havia quem brincasse com o boi através do Boi-na-vara. O boi-na-vara consistia de uma vara de bambú fixada no chão e a cerca de dois terços de sua altura era pendurado um boneco de pano fixo por um cordão ou fio. Na ponta, era presa uma corda, a qual o boi era amarrado. A brincadeira era fazer irritar o boi através do boneco que, era atacado pelo boi que nunca conseguia alcançá-lo. Como a vara sempre voltava a sua posição original o pobre animal cansava e esgotado era sacrificado pelos patrocinadores do boi e sua carne distribuída para a festa que se seguia. O boi-na-vara, desapareceu para tomar lugar a farra-do-boi, onde diferentemente da primeira, o boi fica solto, posto em liberdade pelos farristas que passam a excitá-lo em campo aberto ou em mangueirões (áreas cercadas). O boi perseguido e acuado é malhado e sendo presa fácil é sacrificado pelos patrocinadores do boi. Outra diferença marcante entre as duas manifestações é a postura dos farristas. Onde antes participavam mais passivamente, somente cansando o animal; atualmente, passam a ter uma participação mais ativa, enfrentando o animal, maltratando-o até a sua morte. As origens dessas manifestações remontam do final do século XII ou início do XII, em Portugal, baseada nas touradas já popularizadas na região ibérica. Na área urbana, o boi é substituído por um boneco de pano, normalmente pendurado em algum poste ou arvore. A brincadeira consiste na "malhação do Judas", ou seja, a surra do boneco com paus e pedras, representando o castigo à traição de Judas.
Depoimento
"...Farra
do boi é coisa antiga, sempre houve.
Folias
do Espírito Santo
Tem decaído muitíssimo a antiga folia do Divino Espírito
Santo. Outrora, ao correr do mês de maio, enchiam-se os caminhos de foliões
a colherem esmolas de porta em porta para a grande festa a
realizar-se em junho. Era um hábito que agitava por aquele tempo a vida
ordinariamente silenciosa das localidades do interior. Presentemente, estão rareando os bandos do Divino. Mas ainda
agora, como noutros tempos, constam da bandeira, da viola,
rabeca e tambor. Estes três trazidos a tiracolo, em cadarço vermelho e
ornamentados de flores. A bandeira é formada por inúmeras e longas fitas
multicores
dadas em promessa, e que pendem de uma vara roliça de dois
metros e meio, encimada pela pombinha do Espírito Santo. Conduzem-na de
trecho à trecho, em cada arraial, as pessoas que fizeram promessa nesse
sentido. E a pé, de cabeça descoberta, o chapéu caído sobre os
ombros, o bando lá se vai por todas as estradas da paróquia, rufando o
rebarbativo e lôbrego tambor, cujo surdo soar reboa o dia todo pelas
quebradas:
Ainda à porta da rua, os foliões cantam, guiados pelo Abri
a vossa morada, P'ra
o Divino Espírito Santo, A
fortuna vem trazer-vos, Com
seu estrelado manto. Todos
os da casa beijam a pombinha e as fitas da bandeira. E a cantoria
prossegue. O tambor dá início, rouquenhamente: "Guibom, ribombom,
bom; guibom, ribombom, bom..." A
rabeca e a viola fazem o solo, num musicado de acordes agudos algo
chorosos. Dizem
que no céu tem anjos, Cá
na terra também tem, Juntem
todos os anjinhos, Cada
um dá seu vintém. Em
seguida se agradece a esmola: Deus
vos pague meus anjinhos, Meus
anjinhos lá do céu, A
Virgem Nossa Senhora Cubra-os
com seu santo véu. E lá seguem estrada afora: "Guibom,
ribombom, bom;
guibom ribombom, bom ..." Ao encontrarem uma cruz, cantam: Deus
vos salve cruz sagrada, Que estais no campo sereno, Nela morreu Jesus Cristo, O bom Jesus Nazareno. Deus vos salve cruz sagrada, Que ali estais no campo em pé, Nela morreu Jesus Cristo, Bom Jesus, Deus Nazaré. Depois de todo um longo mês de romaria, a bandeira recolhe-se
à igreja da paróquia, onde vai ser celebrada a Festa do Divino Espírito
Santo. Os foliões saúdam o templo: Viva quem no alto mora, A quem no alto se veja, A virgem Nossa Senhora, Padroeira desta igreja. Que lindo encontro foi este, Aqui nesta ocasião, Vamos nos pôr de joelhos, Fazer nossa devoção. Que lindo encontro foi este, Neste dia tão saudoso Encontrou o Espírito Santo, Mãe e filho, pai, esposo.
Festa do Divino
A Festa do Divino Espírito Santo é uma tradição religiosa que foi instituída em 1296, na cidade portuguesa de Alenquer. Por causa do clima de guerra entre o rei dom Diniz e seu filho, a rainha Isabel de Aragão – a rainha Santa – clamou ao Divino Espírito Santo que se restabelecesse os tempos de paz. Em gratidão, ela mandou fazer uma cópia da coroa do reino, colocando no alto uma pomba branca (o símbolo do Divino), para sair em peregrinação pelo mundo, arrecadando donativos aos pobres. De maio a setembro, Santa Catarina revive esta que é uma das mais significativas manifestações religiosas trazidas pelos colonizadores açorianos.
Oração do Espírito Santo
Vinde, Espírito
Santo, enchei os corações
dos Vossos fiéis e
acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai o Vosso Espírito e
tudo será criado. E renovareis a face
da terra.
(oremos) Deus, que instruístes
os corações dos Vossos
fiéis com a luz do Espírito
Santo, fazei que apreciemos retamente todas as
coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da
sua Consolação. Por Cristo, Senhor
nosso. Amém.
O ciclo do Divino começa já na Quaresma com a saída da Bandeira do Divino, que percorre as casas coletando donativos para a festa, que se dá no dia de Pentecostes, 50 dias após a Quarta-feira de Cinzas. A Bandeira é carregada por foliões que pertencem as Irmandades do Divino Espírito Santo. Tais irmandades já existem a pelo menos dois séculos. É comum as bandeiras amanhecerem nas romarias e, tal qual os Ternos de Reis, os foliões recebem comidas e bebidas dos agraciados com a visita. A festa popular propriamente dita ocorre durante três dias em que há cortejo imperial, missa festiva, quermesses, bailes, apresentações folclóricas e queima de fogos. No último dia são coroados o Imperador e a Imperatriz e eleito o festeiro que coordenará as festividades do ano seguinte. Mais detalhadamente nos tópicos seguintes.
Ciclo do Divino Espírito Santo na Ilha de Santa Catarina
Na Ilha de Santa Catarina, principal concentração dos colonizadores, são realizadas mais de uma dezena delas durante o período que segue cinqüenta dias depois da Páscoa, culminando no domingo de Pentecostes – quando se celebra a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos. As maiores delas são as da Armação de Santa Ana do Pântano do Sul, Cachoeira do Rio Tavares, Campeche, Canasvieiras, Estreito (no continente), Lagoa da Conceição, Nossa Senhora da Lapa do Ribeirão (Ribeirão da Ilha), São João do Rio Vermelho, Santo Antônio de Lisboa, Pântano do Sul, Trindade e da Capela da Irmandade do Divino Espírito Santo, na região central (capela da Irmandade do Divino Espírito Santo), sendo a mais antiga, há 227 anos. De maneira especial vamos nos referir a Florianópolis, na Ilha de Santa Catarina, capital do estado catarinense, e ponto da chegada dos açorianos. Por este motivo temos várias localidades (freguesias) com suas festas do Divino Espírito Santo nos moldes da Ilha Terceira nos Açores.
Ciclo do Divino Espírito Santo no Litoral Catarinense Pelo
fato dos imigrantes açorianos terem se estabelecido próximo ao mar, o
Litoral é a região do Estado onde mais acontece a comemoração. O povo açoriano
extremamente católico, trouxe consigo os seus cultos religiosos. Dentre
eles, o mais forte é o culto ao Divino Espírito Santo. Este legado
secular hoje é seguramente a manifestação mais significativa da
cultura popular catarinense. A costa litorânea do nosso estado é composta por 43 municípios, com fundamentos na cultura de base açoriana e muitos destes ainda fazem acontecer a festa do Divino Espírito Santo: Araquari, Armação da Piedade, Barra Velha, Biguaçu, Blumenau, Camboriú, Governador Celso Ramos, Imaruí, Imbituba, Itajaí, Jaguaruna, Laguna, Mirim, Navegantes, Palhoça, Penha, Porto Belo, São José (São Miguel), Santo Amaro da Imperatriz, Tijucas, Tubarão, Palhoça (Enseada do Brito/sede do município, Aririú), São Francisco do Sul e Florianópolis. Há locais em que as festividades se prolongam até depois do domingo da Trindade. Em cada uma delas, na combinação de rituais religiosos e festejos populares, são adicionadas características próprias, porém os acréscimos não alteram sua essência. Cada município ou
localidade citada acima assumiu características próprias nos festejos
populares profano/religiosos do culto ao Divino Espírito Santo, mas
estas mudanças, sofridas ao longo dos tempos, não alteraram a essência
deste culto, que mantém os mesmos elementos básicos de quando foi
instituída a celebração por Izabel de Aragão, em Alenquer. O ciclo do Divino Espírito Santo
O ciclo do Divino Espírito Santo apresentava etapas bem definidas: peditórios, novenas,
cantorias e festas;
bem como símbolos: bandeira do Divino, coroa, salva, cetro, impérios,
festeiros, imperador e imperatriz, corte, cortejo imperial, coroação,
pagamento de promessas, pãozinho do Divino, varas, mastro do Divino,
juizes de vara e bandas.
Peditório Acontecia nos meses
que antecediam as festas, iniciando-se no domingo após a Páscoa e se
prolongando pelo tempo necessário a visitar roda a comunidade,
indistintamente da condição social dos moradores. Normalmente eram
duas as bandeiras que seguiam em direções apostas, voltando a se
encontrar durante a festa. Era um ritual que passava em todas as casas
da localidade pedindo donativos para o "Divino" (entenda-se
festa do Divino). Era formado por um grupo de pessoas. Urna delas
carregando a bandeira do Divino Espírito Santo, mais três ou quatro
que formavam a cantoria e populares (nos finais de semana), que ao ritmo
da cantoria, iam rimando versos, pedindo e agradecendo donativos que
seriam utilizados para ajudar na realização das festas. O peditório,
também chamado de folia do Divino, podemos comparar ao correr da
migalha" que ocorre em algumas festas do Divino Espírito Santo nos
Açores. Era tradição enfeitar as casas onde a Bandeira do Divino ia
passar arrumar uma sala para receber a Folia do Divino e oferecer comida
e bebida para os foliões. Citamos algumas quadras dos versos cantados
no litoral catarinense, Dê-me licença
que entre Dentro de sua
morada Uma bandeira
divina E a coroa sagrada.
O Divino pede
esmola Mas
não é por precisão Pede
para experimentar Os
seus devotos que são. Após recebera esmola
vem o agradecimento. Ah!
Que esmola tão alegre Deram
a Deus criador Quem vos há de
agradecer é o Divino
Salvador Enfeitaste
a tua casa Com
folhas de laranjeira Decerto
estavas esperando Esta sagrada
Bandeira Deste
uma fita a Bandeira E uma fita
encarnada Ao senhor que nos
dá vida Nesta hora tão
sagrada. O
Divino Espírito Santo É
pai da redenção, ai... Coma
bandeira sagrada Anderjios com oração, aí.., Este
sinhô vai embora E
o pai da Divindade, ai... E aqui está as três
pessoas, ai, E da Santíssima
Trindade, ai, ai... (Ambas as quadras
foram coletada pelo Professor Doralécio Soares) Novenas Tradicionalmente, a novena antecedia a festa do Divino. Ritual religioso que se Fazia à noite, normalmente aos sábados, na casa ou capela que hasteou a bandeira. A folia e bandeira que percorra as residências fazendo o peditório durante o dia, à noite pousava em alguma casa onde acontecia a novena, rezada toda em latim por um capelão e acompanhada pela cantoria. Após a novena havia foguetório e arremate das doações recolhidas.
Cantorias
do Espírito Santo Conhecidas sempre
como cantoria ou folias do Divino, acompanhavam as bandeiras durante o
peditório. Estavam sempre presentes nas novenas, e tinham corno
principal função acompanhar o cortejo imperial e a coroação do
imperador. Com seu ritmo e versos, conduzia o cortejo até o altar,
fazendo todo o ritual de coroação e o acompanhamento do cortejo até a
casa do Divino. Era formado por três a cinco pessoas que tocavam
instrumentos como tambor, rabeca, viola e violão. Um deles, o cantador,
puxavam os versas e as outros faziam o cora. Funcionava como os mestres
de cerimônia do culto ao Divino Espírito Santo, pois dirigiam as funções,
cantando o roteiro a ser seguido. O grupo da cantoria do Divino as vezes
usava indumentária, mas na maioria das vezes não as usava. Existem
ainda alguns grupos, hoje, que cumprem o ritual tradicional. Festa
do Divino Espírito Santo Era o ponto alto de todo o ritual profano-religioso, iniciado após o domingo de Pentecostes. A data da ocorrência da festa era em função do tempo que as bandeiras levavam para cumprir a etapa do peditório. Normalmente nos meses de junho/agosto. Congregava e ainda congrega todos os elementos simbólicos do ciclo do Divino, quais sejam. A
Bandeira do Divino A bandeira e a coroa
do Divino são os símbolos centrais da festa, onde giram todos
os rituais. A bandeira ainda conserva os mesmos padrões, confeccionada
em tecido vermelho, com uma pomba com asas abertas ou bordada e
estampada em branco no centro. Em algumas ainda encontramos ramos
bordados nas laterais. Na ponta de seu mastro encontramos uma pomba que
pode ser de madeira com as asas fechadas (denominada de bandeira pobre
que sai em peregrinação realizando o peditório) ou de prata com as
asas abertas que se utiliza nas cerimônias e na cortejo. Esta pomba está
sempre ornamentada com fitas e flores. As fitas são sempre renovadas e
acrescidas, pois pode-se pagar uma promessa ao Divino colocando uma
fita colorida em sua bandeira. O tamanho do comprimento da fita é
sempre da altura da pessoa que está pagando a promessa. O número de
Bandeiras é variado. Temos municípios, a exemplo de Itajaí, que
costuma também levar para as festas uma bandeira do Divino branca que
simboliza a paz - Este ritual é feito pelos devotos do Divino. Coroa Em prata lavrada, insígnia
principal de tini conjunto Formado por Cetro e Salva. No litoral
catarinense varia apenas quanto ao tamanho. Usa-se, ainda hoje, apenas
uma coroa, ao contrário dos Açores, onde em algumas cerimônias na
casa do Divino, aparecem várias coroas. A coroa é o símbolo principal
das festas do Divino Espírito Santo, levada nos cortejos pelo casal de
Festeiros sob guarda da corte e autoridades eclesiásticas. Quando
chegamos ao ponto mais venerado da festividade, a coroação, som dúvida
ela e a figura principal.
Cetro Bastão
de prata lavrada com unia pomba alçada à ponta, sempre enfeitado por
fitas vermelhas e brancas, as cores do Divino, carregado pelo Casal
Festeiro (geralmente pelo homem, junto com a coroa sob a salva). Em
alguns lugares, quem carregava o cetro era o imperador (festeiro) e sua
companheira carregava a coroa sob a salva, talvez urna alusão ao poder
que o bastão representava, Em alguns rituais de coroação, a
imperatriz ficava com o cetro co imperador com o espadim. Onde ainda se
conserva este símbolo, isto acontece.
Salva Também de prata,
servia para apoio da coroa e do cetro quando do cortejo imperial, ou, na
missa, ficava apoiado sobre o altar, às vezes sobre a mesa do padre que
conduzia a cerimônia religiosa. No teatro ficava ao lado do casal
imperador para sustentara coroa e o cetro.
Impérios
do Divino Espírito Santo Também
conhecidos por teatro (triato) do Divino ou casa do Divino. Era para
onde o cortejo imperial se direcionava depois da missa. Ali ficavam
expostos para veneração: o casal de imperadores, a corte, bandeiras
coroado Divino e as massas (pãozinho) do Divino. Neste momento os fiéis
costumavam ajoelhar-se e beijar a pomba encimada no cetro do imperador
No litoral catarinense poucos lugares preservam estas construções.
Atual-mente, improvisa-se um local no salão de lesta da própria
igreja.
Festeiros Era
o casal que tinha a responsabilidade financeira de fazer acontecer a
lesta. Podia ser também chamado de casal Imperador ou imperador, juiz
Festeiro ou provedores. Nos Açores são chamados de
"Mordomos". Eram eles que constituíam a conte sempre com
membros da sua Família, amigos ou vizinhos e organizava o calendário
da festa em conjunto com a igreja. Para escolha do casal imperador
existiam regras/critérios obedecidos pela comunidade. 1º -
Promessa: o critério das promessas era muito Forte,
aceiro e respeitado. Eram pessoas ou casais que faziam promessas para
presidirem a festa do Divino Espírito Santo como festeiros ou mordomos.
2º - Aclamação: na falta de mais candidatos o casal era.
aclamado durante a missa de coroação. 3º - Sorteio: em
alguns municípios a indicação dos novos festeiros era eleita por
sorteio. Colocavam-se os nomes dos inscritos (pretendentes) em pedaços
de papel lacrados, dentro da salva e retirava-se um. Este sorteio era
feito na missa de coroação. Tais hábitos continuam em uso.
Imperador
e Imperatriz O
casal era formado quase sempre por crianças ou adolescentes.
normalmente filhos dos Festeiros, que no auge do ritual eram coroados.
Sempre bem trajados com indumentárias e acessórios apropriados para o
período imperial. Ainda hoje, mantém-se a tradição.
Côrte Composta
pelo imperador e imperatriz, os pagens e damas da côrte (também crianças
ou adolescentes), que vestiam roupas da época, sempre confeccionados em
tecidos nobres e bem ornamentados. Também faziam parte da corte, porta
bandeiras e membros da irmandade, que levavam as varas com velas, como
guardiões do Divino.
Cortejo
imperial O cortejo imperial era montado obedecendo uma certa ordem que descrevemos a seguir Porta-bandeiras ou Alferes da Bandeira, Damas e Pajens, Imperador e Imperatriz, Casal de Festeiros ou imperadores, sempre levando os símbolos da lesta (coroa, cetro e salva), Autoridades Eclesiásticas, outras autoridades, Cantoria do Divino, Membros da Irmandade, outros Festeiros, Convidados e a Banda Musical. Na segunda-feira da lesta, ou após a coroação. acompanhava o cortejo o casal festeiro do ano seguinte. A corte desfilava de duas a três vezes durante a festa com o mesmo roteiros saia da casa do festeiro em direção à igreja. Após a missa ia para a casa do Divino. Sempre acompanhada dos acordes da Cantoria do Divino ou das bandas musicais. A frente do cortejo vinha sempre o Fogueteiro, pessoa encarregada de anunciar a passagem do cortejo, o que Fazia soltando logos de artifícios (foguetes de varas e rojões).
Missa A
celebração religiosa era eleita especialmente em louvor ao Divino Espírito
Santo, sempre acompanhada das cantorias do Divino.
Coroação Era
o auge do ritual acontecia ao final da missa em louvor ao Divino Espírito
Santo, geralmente no domingo de pentecostes. Após a benção da Coroa,
o Celebrante da missa empunha a solene coroa ao imperador (casal de
crianças ou adolescentes), sempre comandado pela cantoria e ritmos dos
cantadores do Divino. Em algumas localidades quem empunha a coroa para a
coroação era o casal festeiro. Depois de coroados, juntamente com a
corte imperial, ao ritmo das cantorias do Divino, o casal dirigia-se à
Casa do Império do Divino, onde recebia os cumprimentos e adoração.
Pagamento
de promessas As promessas ao
Divino podiam ser pagas apenas colocando fitas no mastro de sua
bandeira, oferecendo massas (pão do Divino) para o arremate.
Carregando a Bandeira do Divino durante o peditório, prometendo assumir
a lesta como casal Festeiro (que é a promessa mais importante) ou
simplesmente arrematando os pãezinhos do Divino,
Pãozinho
do Divino Eram os pães
produzidos para o pagamento de promessas ao Divino Espírito Santo e que
depois de bentos seriam arrematados pelos fiéis. Estes pães eram
feitos de massa doce sovada e moldada nas formas da parte do como que
deu origem à promessa. Encontravam-se pães nas Formas da mão, pés,
cabeça, como inteiros e outras. A procura pelos pãozinhos do Divino
era muito grande, demonstrando a devoção ao Divino Espírito Santo.
Pode-se comparar o pãozinho do Divino ao “Alfinim” que se faz na
Ilha Terceira nos Açores.
Varas Mastros
de madeira envernizados, geralmente com suporte para velas na parte
superior, que os membros da irmandade usavam para acompanhar o
cortejo, em uso em algumas comunidades, como a de Penha.
Mastros
do Divino Em
poucas localidades do litoral catarinense ainda encontramos o Mastro do
Divino. Mastro geralmente de madeira roliça o mais alto possível, às
vezes pintado, levando a bandeira do Divino Espírito Santo. Esta
bandeira, em tamanho menor e quase sempre pintada à mão, era a que
ficava ali no período da Festa. O mastro identificava a festa.
Juizes
da vara (ou senhores da vara, ou varadores) Encontravamos, esta tradição, nos municípios de Jaguaruna, no sul do
Estado, e Penha, norte do Estado de Santa Catarina. Eram as pessoas que
seguravam as varas revestidas de tecido vermelho ou branco. Estas varas
formavam um quadrado que protegia o imperador no cortejo imperial. Nos Açores,
sendo chamado de "Casola" ou "Quadro de varas"
Banda
Musical Uma
banda musical sempre acompanhava o cortejo do Divino, entoando seus
dobrados e, após o cortejo, fazia uma apresentação ao público na
festa. Manuel
da Breda Simões, em Roteiro lexical do culto e festas do Espírito
Santo nos Açores, relata que acontece nos Açores o ato da descoroação
o que não ocorre no litoral catarinense. Em Santa Catarina acontece o
ato da coroação, e em algumas localidades o imperador coroado
dirige-se à casa do Divino com a coroa sobre a cabeça. Em outros
casos, após a coroação, acontece o ritual de saída da igreja para a
Casa do Divino mas a coroa é transportada na mão do casal festeiro.
Nos dois casos acima, quando chegam à casa do Divino, onde a côrte vai
ficar "exposta” para adoração e reverências do público. a
coroa é simplesmente coloca da no altar junto com o cetro e sob a
salva. No
litoral de Santa Catarina não encontramos mais o ritual do “Cortejo
da Mudança” como se faz em algumas ilhas dos Açores. E montado o
altar do Divino Espírito Santo na Casa do Festeiro mas sem este ritual. Como
já comentamos, em Santa Catarina as festas do Divino obedecem ao calendário
litúrgico da Igreja Católica que é de cinqüenta dias após a Páscoa,
culminando com o domingo de Pentecostes, data em que se celebra a
chegada do Espírito Santo. Mas em vários municípios este calendário
não funciona, pois, devido à autonomia que se tem para organização
da festa, cada comunidade ou irmandade acerta a melhor data no ano para
que ela aconteça. Há casos de localidades que juntam o culto ao Divino
Espírito Santo à comemoração da data de seus padroeiros locais.
Poderiamos citar Imbituba, Estreito, São João do Rio Vermelho e
Santo Antônio de Lisboa. Neste caso, as cerimônias do culto ao Divino
são misturadas às do seu padroeiro, numa festa às vezes com maior
porte. E é comum ver a coroação de Nossa Senhora ou a imagem do
padroeiro percorrendo o Peditório junto com a folia do Divino. No litoral
catarinense não fazem parte da tradição os famosos “bodos” - a
distribuição de sopas ou caldos de alcatra ou comidas para os
populares de classes mais pobres. Mas é comum em vários locais no
domingo da festa ou na segunda feira, a realização de um grande
banquete pago pelos festeiros para os que colaboraram na festa. O
costume mais tradicional que temos aqui é a distribuição do pãozinho
do Divino. A procura pelo pão nos dias de festa é grande, o que reforça
a fé e devoção dos catarinenses no Divino Espírito Santo. A
distribuição destes pãezinhos e massas de promessas é uma forma de
beneficiar as pessoas com os dons ou dádiva da graça da Divino. Com
o passar dos anos e o crescimento das localidades cada comunidade
organiza da sua maneira a festa ao Divino Espírito Santo. Um dos
elementos que notamos está desaparecendo é o Correr da Bandeira ou
Peditório. Nas várias comunidades em que ainda existe a festa, a
contribuição é dada em dinheiro e não mais em prendas. Em
algumas comunidades se criou a Bandeira Pobre, que é utilizada nas
novenas e no peditório, e a Bandeira Rica, que só é usada nos dias de
festa. Existe também alguns municípios que utilizam a Bandeira Branca.
Na
organização da festa estão envolvidos a Irmandade (onde existe) o
Padre (igreja) e o Casal de Imperadores (festeiros). Estas pessoas atuam
motivando os festejos e estimulando a comunidade a participar. O padre
sempre procura motivações de natureza religiosa para trazer mais
participação popular, enquanto os festeiros criam as condições para
que a população devota manifeste seu louvor e fé no Divino, expressa
nos rituais, promessas e respeito aos símbolos. Esta manifestação de
fé pode ser expressa de diversas maneiras: Beijar a Bandeira e a
Pombinha do Divino> cortar as fitas vermelhas (usam como amuleto, ou
Fazem um chá medicinal), adquirir massas de promessas, receber o pãozinho
do Divino, doar alimentos> prendas e dinheiro ou participar
das missas e cortejos do Divino. Os
arredores da capela e o caminho que leva à casa dos festeiros onde o
cortejo imperial irá passar é sempre muito enfeitado com bandeirinhas,
estandarte.s com símbolos do Divino, lâmpadas e outros. Esta é uma
tradição que caracteriza as Festas em Santa Catarina. Outra
tradição que encontramos em todas as festas do Divino Espírito Santo
no nosso litoral é a queima de fogos de artifício, que acontece no último
dia da festa. O culto ao Divino Espírito Santo é uma lesta do povo, que a promove com alegria e louvor, urna tradição coletiva que se renova a cada ano e que está na alma dos descendentes açorianos.
Procissões
Procissão de São Sebastião 20 de janeiro No largo da Igreja São Sebastião.
Procissão de Senhor Jesus dos Passos 2º domingo que antecede a Páscoa Inicia no Hospital de Caridade e segue até a Catedral Metropolitana.
Procissão de Corpus Cristi Sempre as 5ª feiras de junho.
Procissão de São Cristóvão em novembro Ao redor da Praça XV, Centro.
Procissão de Nosso Senhor Morto Sexta-feira santa, a noite, no bairro da Trindade. Nas proximidades da Igreja da Santíssima Trindade.
Depoimento Damião – Sertão Grande
"...Na
Páscoa, nós íamos sempre pra cidade ver a procissão do Senhor dos
Passos. pegávamos novamente o ônibus até a Trindade, ou Itacorubi, e vínhamos
a pé para a Lagoa.
Senhor Jesus dos Passos
Histórico
A
procissão do Senhor Jesus dos Passos representa um momento de profunda
religiosidade popular, particularmente visível nos símbolos e rituais
que acompanham a sua preparação e celebração. Em
Florianópolis, antiga Desterro, a primeira celebração teria
acontecido em 1766, em uma Quinta-Feira, dois anos após a chegada da
imagem a Desterro e da fundação da confraria "Irmandade do Senhor
Jesus dos Passos", conforme referência assentada na 1ª prestação
de contas dessa Irmandade, datada de 27 de setembro de 1767. Ali estão
registradas despesas efetuadas com sermões, fitas, tecidos, linhas,
cera, feitio de balandrau, entre outras, para a Procissão de 1766
(Fontes, 1765). A Procissão do Senhor Jesus dos Passos em Florianópolis pouco mudou nos seus 236 anos de celebração. Apresenta três momentos importantes: a Lavação da Imagem, a Transladação e a Procissão, propriamente dita.
Transladação
No
Sábado da quinta semana da Quaresma, após a celebração da missa, às
sete horas da manhã, acontece a Procissão do Carregador. Começa com a
mudança das alfaias, que compreendem vários objetos utilizados na
Procissão, tais como castiçais, mesas, suportes, escadinha da Verônica,
baús, crucifixos, etc. da Capela do Menino Deus para a Catedral, de
onde sairá, no dia seguinte, a Procissão do Senhor Jesus dos Passos.
No mesmo dia, à noite, são transladadas as imagens do Senhor Jesus dos
Passos (às 20:00h) e Nossa Senhora das Dores (às 21:30 h), com expressivo
acompanhamento de Irmãos e devotos.
Lavação da Imagem
Quinze
dias antes da Sexta-Feira Santa, ocorre a lavação da imagem do Senhor
dos Passos. Este ato é realizado por duas crianças menores de seis
anos, que passam um pano embebido em água perfumada nos pés, rosto e mãos
da imagem. Em seguida, ela é preparada e vestida por quatro senhores,
membros da Irmandade. Esta
água perfumada e benta é distribuída entre pessoas que a procuram
para a cura de algum mal.
A
Procissão
No
Domingo, à tarde, realiza-se a Procissão propriamente dita. Saem da
catedral as duas imagens, fazendo trajetos diferentes. O cortejo é
aberto por um estandarte, chamado Guião, onde se lê a sigla S.P.Q.R.
Senado de Todo Povo Romano e segue, então, pelas ruas de Florianópolis,
reconstituindo os passos do Calvário, numa representação da “Via
Crucis”. Grande é o número de populares e autoridades que acompanham
a secular Procissão, ao lado dos Irmãos da Irmandade. Integram o
cortejo pessoas da comunidade, representando as figuras de José de
Arimatéia, Nicodemus, São João, Maria Mãe, Maria Madalena, Simão
Cirineu, três Beús e a Verônica, que acompanharam Cristo em direção
ao Monte Calvário. Junto ao cortejo, verifica-se também, a presença
de pessoas "pagadoras de promessas", numa comovente atitude de
fé e amor ao Senhor Jesus do Passos. No
decorrer da Procissão, acontecem algumas paradas, chamadas de
"estações da “Via Crucis”. É
neste momento que Verônica
canta, anunciando a dor de Cristo. Após o canto, a matraca (instrumento
de madeira e ferro) é tocada e o seu som é o sinal para dar
prosseguimento ao cortejo. Ao atingir a Praça XV de Novembro, em frente
a Catedral Metropolitana, dá-se o comovente "Encontro" das
duas imagens: Senhor Jesus do Passos o Filho e Nossa Senhora das Dores a
Mãe. Mi é proferido o "Sermão do Encontro" por uma
autoridade eclesiástica especialmente convidada. Após este ato, as
duas procissões se unificam e seguem em direção a Capela do Menino
Deus, no Morro da Boa Vista, simbolizando o Monte Calvário. Encerra-se,
assim, a Procissão, um comovente testemunho de fé e devoção, que se
transmite de geração a geração. A Procissão do Senhor Jesus dos Passos é um símbolo da cidade de Florianópolis, referência de destaque no seu Patrimônio Imaterial.
Ternos ou Festa de Reis
Os Ternos são grupos de cantadores que anunciam em verso a chegada dos Santos Reis, visitando espontaneamente as casas de família. Costumam entrar pela noite adentro desde que o dono da casa mantenha a oferta de comidas e bebidas. Vai até o dia de Reis, 6 de janeiro. Os Ternos diminuíram bastante na Ilha, restando os de Sambaqui, Lagoa, Ribeirão e Pântano do Sul. O três reis magos nunca tiveram grandes homenagens na terra
catarinense – escreve Crispim Mira, em "Terra Catarinense"
(obra citada). Os ternos que se organizaram e que ainda se organizam
aqui e ali para os festejar estiveram sempre muito longe de parecer-se
com os de que fala a tradição relativamente à Bahia. Não obstante, tem a festa de reis (dos rezes, dizem
na roça), não poucos admiradores e ainda constitui, em janeiro, um
agradável motivo para diversão. Agrada, sobretudo, pela graça com que é de praxe antecipar
a entrada nas casas aonde se vai pedir reis. A essas loas seguiam-se, outrora, espórtulas aos cantores. Na cidade a chegada é cerimoniosa: Aqui
estou em vossa porta, Como
feixinho de lenha, Esperando
a resposta Que
de vossa bôca venha. Se
fizerem luz a acolhida é favorável e os cantores o assinalam: Porta
aberta, luz acesa, É
sinal de alegria, Mande
entrar os santos reis Com
sua nobre família. Confessa-se
o que se pretende: Aqui
viemos cantar, Por
estar noite de chuva, E
também porque queremos, Da
parreira um cacho de uva Declara-se
a guloseima: Aqui
viemos cantar, Porque
a noite está tio bela, Provaremos
com prazer, Doce
de cravo e canela. São
mais clássicas as quadrinhas seguintes, usadas no interior: O
de casa nobre gente, Escutai
quê ouvireis, A
partida do Oriente, A
chegada dos três reis. O
de casa nobre gente, Escutai
com atenção, Já
nasceu o rei do mundo, Para
nossa salvação. Para
ver o Salvador, Bendito
seja o Messias, Viagem
que era de um ano Fizeram
em treze dias. Acordai
si estais dormindo, Fazei
o sinal da cruz, Lá
vem vindo a estrela d'alva, Com
seu menino Jesus. Entrai
pastores, entrai, Por
estes portões a dentro, Vinde
ver o Deus menino, No
seu santo nascimento. À
procura de Jesus, Sem
nunca poder achar, Fomos
chegar a Belém, Antes
do galo cantar. Cantou
o galo, bateu asas, Não
respondeu mais ninguém, Uma
ovelha foi que disse: Cristo
nasceu em Belém. Ficai
vós com Deus, senhores, Na
glória com o soberano, Que
lhe dê felicidade, Boas
festas e bom ano. Os "Ternos" também são levados a efeito nas festas de "Ano Bom", "São Sebastião" e "Santo Amaro", tomando os nomes dessas festas.
Festas Juninas. Franklin Cascaes. Museu de Antropologia da UFSC, 1978 Fundação Franklin Cascaes - Setur/PMF Depoimentos: “Vozes da Lagoa”. Ourofino, Bebel e Borges, Elaine |