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Enquanto frita a tainha

     

o manezinho fica bem informado

         

     

     

Seo maneca.

Ó-lhó-lhó. Pôji tu naum sabe que o Seo Maneca táji divorta. 

Tu não lê o jornali seu instepô.

        

      

...“Sempre havia hospitalidade em todos os lugares. 

Se recolhiam as pessoas, quando chegava a noite, 

nos engenhos, nas casas das canoas. 

Se recebia todo mundo que aparecia por lá. 

Comida? 

Sempre se dava um jeito. 

Nos domingos os parentes se visitavam, 

iam nas casas dos outros, 

as mães vestiam as crianças e iam visitar fulano lá em cima. 

Viajavam um quilômetro, dois quilômetros, a pé, 

para fazer a visita ou porque estava doente, 

ou porque houve casamento, ou porque alguém morreu. 

Se nascia, também. Estavam sempre se comunicando. 

As pessoas, ao meu ver, eram mais amigas. 

Olha, eu moro aqui a tanto tempo e os vizinhos não se falam. 

Dias atrás morreu um vizinho ali e eu não sabia. 

Eu vivo trancado aqui, escrevendo, desenhando, 

pensando só nessas coisas.”
     
Franklin Cascaes

    

          

 


Um dia, em conversa com o “Seo Zé Agostinho”, morador nativo

 da Barra da Lagoa, pai do nosso famoso pandorgueiro Waldir Agostinho. Disse-me ele:
“- Olha, meu filho, isso aqui mudô de repente. Parece que a gente ainda táva como de primero e

 despois durmiu, quando acordô, já era otra Barra da lagoa!”

Ocorreu-me a idéia, então, que meu personagem, o “Seo Maneca” ainda está vivendo como “di primero”, ou seja: 

Naquele tempo onde a subsistência era a farinha de mandioca, plantada no morro e processada no engenho, do peixe trazido de arrasto do mar, das cantigas de namoro, a bela ratoeira. 

Num tempo que toda a comunidade se conhecia, onde o termo solidariedade, que até hoje pode ser desconhecida de muitos dos velhos nativos, era a palavra de ordem.

No tempo das rendeiras de bilro, da preocupação com enxoval, no tempo que moça solteira com dezoito 

anos estava “encalhada”, do bom namoro embaixo dos cafezais e no cantinho dos engenhos.

   

 

 Quando só Jesus salvava pela graça das mãos das benzedeiras. Época das assombrações: bruxa, lobisomem, mãe d’água, luz de bota, olho gordo e mau-agoro.

Tempo também que gente se prevalecia de falsa moral, de homem com mais de dez amantes, do trabalho duro, do boi-de-mamão, pau-de-fita, dança do arco, era muita diversão. Tempo tão bom “Seo Maneca”  recusa esquecer, ele compara com os dias de hoje, sem entender nunca porque transformou-se em sonho, então a sua realidade.

                                          

O Espetáculo-Intervenção: 

“Seo Maneca” propõe relembrar através da linguagem teatral o modo de vida dos habitantes da cidade de Florianópolis, moradores à beira-mar descendentes dos açorianos que chegaram em meados do séc. XVIII e juntamente com os índios e negros desenvolveram nossa cultura popular.  

    

       

 

Assista o Seo Maneca pela TV Capital (www.tvcapital.com.br) "Enquanto frita a tainha..."

Todas as quartas-feiras (ao vivo), sábados e domingos, no Programa Gente da Terra, a partir das 20:30h.

          

Com o ator e diretor Geraldo Cunha, pesquisador a 18 anos das manifestações da arte, 

cultura e costumes populares da ilha de Santa Catarina

   

Contatos pelo Tel: (0xx48) 3238 0646 ou Cel: 9962 9282