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Situações curiosas da Ilha a partir do início do século XX.

 


Nesta seção estão algumas das situações que foram de conhecimento público e que até hoje fica na memória de muitos ilhéus.

 

Depoimento
Damião – Sertão Grande  

"...Carnaval era bom.
A orquestra vinha da cidade.
Tinha até lança perfume, mas naquele tempo não fazia mal, não.
O cheirinho era tão gostoso, o olho ardia...
Tinha confete, serpentina...
Era baile de carnaval completo.
Os bailes eram na casa do João Sobrinho, naquele
Sobrado bem no alto do morro."

 


Alfaiates, Os

 

Desde o "tempo dos afonsinhos" o ilhéu urbano já vestia-se bem, alinhadamente,  fazendo parte do traje o terno, o colete, a gravata, os sapatos sempre engraxados, e o chapéu. Deste hábito incluíam-se ainda os menos privilegiados. Para estes, selecionei alguns dos alfaiates tradicionais da ilha, a seguir:

      

Cardoso, Geraldo

Florisbelo

Fornerolli

Ilson

José Silva, o Seo Zézinho

Jõao Dedinho 

Lopes

Lenzi

Melo, Heitor

Pinto da Luz, Carlos

Régis

Ribeiro, Alécio

Ribeiro (Português)

Rosa, Adebau

Stuart

Vadico, Osvaldo Carioni

Walter Santos (Jacaré)

 

Alguns dos citados ainda estabelecidos atuando na confecção sob medida até os dias atuais

   

Arrastão, O

   

No ano de 1922, na prainha da Barra da Lagoa, cercaram um cardume de tainhas e arrastaram cerca de 200.000 peixes. A maioria teria apodrecido e sido enterrado lá mesmo.

   

Assombrações Públicas

   

Na década de trinta, um fantasma agia no Largo Benjamin Constant e Avenida Trompowsky. Quando anoitecia o povo dos arredores deslocava-se para o local, impedindo inclusive a passagem do bondinho de burros. Passar por baixo da figueira da Trompowsky era uma temeridade.

O Capa-preta aparecia na Avenida Hercílio Luz e adjacências, estendendo-se, posteriormente, por toda a cidade. Foi capturado e levado para a Chefatura de Polícia com grande acompanhamento. 

   

Atividades do Ser Humano, As

    

O saudoso Inácio Brasinha assim definia:

     

O Rico e o Pobre são duas pessoas

O Soldado protege os dois

O Operário trabalha pelos três

O Vagabundo come pelos quatro

O Advogado defende os cinco

O Confessor condena os seis

O Médico examina os sete

O Coveiro enterra os oito

O Diabo carrega os nove

E a Mulher engana os dez

    

Banho de Mar

      

Em 1857, era expressamente proibido tomar banho de mar. O banho de mar, nas praias da cidade, começou na década de vinte, mas, geralmente à noite motivado pelo pudor ou por recomendação médica. Na década de trinta, a freqüência passou para o horário da 16 horas e na de quarenta em diante, tempo integral. As nossas praias eram impróprias para banho, devido ao fundo lamacento ou pedregoso e pela quantidade do inimigo nº 1 dos pés, o ouriço.

          

Barco, O

     

Um técnico em rádio e curioso em outras atividades, resolveu construir um barco a vela, num dos quartos de sua residência. Concluída a embarcação, apareceu o entrave, o barco não passava na porta nem na janela de casa. Conclusão: derrubou a parede.

O fato aconteceu no ano de 1945 e o nome da embarcação era Brigadeiro.

        

Benzedura

   

Na Barra da Lagoa, houve um caso interessante entre duas sociedades pesqueiras. Acontecia que a rede de uma das entidades de pesca acumulava grande quantidade de pescado e a outra não. Esta outra, então, mandou buscar então um benzedor que executou um descarrego geral em todos os seus apetrechos para extirpar o mal de quebranto que haveria atingido em cheio a sociedade pesqueira. Não houve dúvida, dia seguinte, aquelas redes passaram a pescar mais peixes que da outra, não enfeitiçada.

     

Bondinho de Burro

      

A primeira linha de bondes foi instalada em 1880, explorada por Polidoro Olavo São Thiago, durou pouco tempo. A segunda linha chamada Cia. de Carris Urbanos, cuja sigla era CCU, durou  aproximadamente, 35 anos. Até que, num ato de repúdio, um grupo de estudantes pegaram o veículo e atiraram ao mar da Baía Sul, ao lado do mictório, em 25/09/1934.

        

Café da Ilha

    

O café plantado na Ilha, que se chamava Sombreado e que hoje não mais existe, fora classificado como o melhor do Brasil.

        

Chuteiras, As

    

Lauro S., quando jogador, foi um grande ponta esquerda, respeitado pela qualidade e potência do chute. Em 1959, ao término de uma partida, amarrou as chuteiras e jogou-as para o amigo João P., que estava nas arquibancadas, encerrando naquele momento sua carreira de futebolista.

         

Caixão, O

     

Em 1935, o prédio dos correios e ex Hotel Taranto, ao lado da Praça XV, foi demolido para a construção do prédio do Banco do Brasil. Não concordando com o estilo moderno para a época, a população acostumada ainda com as formas tradicionais de construção, denominou o prédio de "caixão", rejeitando a construção que depois sediou o Serviço de Patrimônio da União.

        

Camarão, O

    

Quando vendido em litro - lata de azeite ligeiramente amassada e o fundo virado para dentro. Enquanto o camarão de balaio, vendido a cento, em que o vendedor cortava a barba do camarão grande e este nunca entrava na contagem, pois escapava, ficando sempre no balaio.

         

Cemitérios, Os

    

O primeiro cemitério público, era situado na cabeceira da Ponte Hercílio Luz, tendo ao lado também o primeiro cemitério alemão. Seu administrador foi Marcelino Antônio Dutra, o chamado "Poeta do Brejo", criador de vários epitáfios, entre eles o seu:

    

Aqui Jaz

Marcelino Antônio Dutra

Que mil e poucos registrou

E que, no final

Também entrou

        

Finalmente, não foi enterrado lá, e sim, no Ribeirão da Ilha, sua terra natal. 

O segundo cemitério, é o atual São Francisco de Assis ou Cemitério do Itacorubi. Sendo que, o primeiro homem lá enterrado foi também seu primeiro administrador, o Sr. Waldemar Viegas, como também a primeira mulher a Sra. Constância Zelinda da Rosa.

        

Confisco, O

   

Que tocando na Ilha uma embarcação que levava numerários para o Rio Grande, o brigadeiro Silva Paes obrigou o condutor, mediante recibo a entregar o dinheiro e recolhe-o a provedoria. Pagou desse modo todo o nosso pessoal. O governador do Rio de Janeiro mandou o dinheiro novamente para o Rio Grande alegando naufrágio nas costas de Santa Catarina da primeira leva.

         

Copa Lord, O

    

Criada a 5 de fevereiro de 1955, aconteceu de um encontro casual entre seus quatro fundadores, ao muro da extinta LBA que eram: o Jorge, o Lô, o Querino e o Avez-vous. Conforme o Jô, sentados defronte ao antigo bar do seu Segundo, munidos com caixinha de fósforo e um copo de pinga começaram a cantar e aí... surgiu a idéia de fundar o que seria hoje uma das maiores escolas de samba da capital. No bar, após muita conversa, surgiu o nome Embaixada Copa Lord.

         

Crimes

     

Muitos foram os crimes algumas dezenas de anos atrás, mas, os que mais abalaram a sociedade foram: Crispim Mira, Benedito Jorge que assassinou um soldado do 14 Batalhão de Infantaria, a mulher da Praia de Fora, Antônio Dib Mussi e Dahil Amim.

         

Desastre do Cambirela

    

No dia 6 de junho de 1949 o avião da FAB - Força Aérea Brasileira, um Douglas C-47 número 2023, pilotado pelo 1º Tenente Aviador Carlos Augusto de Freitas Lima, levanta vôo da base aérea e 5 minutos depois, em função do mau tempo, colide no Cambirella, explodindo e matando os 26 tripulantes.

          

Engenho de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa

     

O Engenho de Nossa Sra. da Conceição da Lagoa foi construído em fins do século XVI e desapropriado por D. João VI em 1808. A sede da propriedade foi residência do intendente da fábrica de pólvora, Gal. Carlos Antonio Napion, após sua ampliação e reforma.

A construção serviu de residência de alguns diretores do Jardim Botânico - como Barbosa Rodrigues - e, posteriormente, a famílias de servidores, até 1981. Abrigou também o Setor de Proteção Florestal do Parque Florístico e o Herbário Bradearum.

No período de 1990 a 1993, o JBRJ/IBAMA firmou um convênio com a Fundação Banco do Brasil para a realização da restauração do prédio. A partir de prospecções arqueológicas e estudos arquitetônicos, devolveu-se à construção, seu aspecto original.

Hoje o prédio abriga o Centro de Visitantes da comunidade.

 

Engenhos, Os

 

Nos idos de 1794 a Ilha teve 382 engenhos, de três tipos: só farinha; farinha, açúcar e cachaça; e açúcar e cachaça."

    

Figuras Singulares

    

Famosas por suas características peculiares tornaram-se conhecidas por suas manias ou por vagarem pela Vila Capitali sendo muitas vezes auxiliadas pelos manezinhos mais abonados. Alguns marcaram forte presença, como: Abarca Quatro, Adolfo, Andrico, Avelino, Babão, Balão Melancólico, Bataclan, Bento, Bombo 25, Capitoa, Chica Corta a Corda, Coruja, Curvina, Fuzarca, Ivo Bode, Mandico, Manduca, Manequinha, Marrequinha (babão), Marta Rocha, Melósia, Nega Tita, Pandorga, Papo Amarelo, Pé de Anta, Pé de Lixa, Peito de Aço, Petanha, Rendeira do Farias, Tonaco e o Tutuca, entre muitos outros.

        

Fortalezas, As outras

     

Que além das fortalezas existentes o Marechal Cândido Caldas afirma que existiram 
as seguintes fortificações:
                  

Forte do Ribeirão

- Ribeirão da ilha

Forte da Lagoa

- Lagoa da Conceição

Forte Marechal Moura

- Ponta dos Naufragados

Forte da Ponta do José Mendes 

- Ponta do José Mendes

Forte da Ponta do Rapa 

- Ponta do Rapa

Forte São Luiz

- Praia de Fora

Forte São Francisco Xavier

- Praia de fora

Forte São João 

- Continente(em frente ao Forte Sant'ana)

Forte São Caetano

- Ponta Grossa

        

Fratelanza

     

Era um clube de italianos localizado na Rua Trajano - Escadaria do Rosário, onde, geralmente, aos domingos se reuniam para tomar um bom vinho. A.B. num rasgo de desprendimento, desceu a citada escadaria em seu Ford-29. Fato, até hoje, não repetido.

    

Um dos primeiros veículos a circular na capital.

       

Fusca, O

    

O primeiro fusca vendido em Florianópolis, pela Casa Moellmann, sendo naquela oportunidade o vendedor Firmino Boaventura Feijó, um dos donos da loja que também vendeu o primeiro caminhão.

         

Hóspede, O

    

Assis Chateubriant, em 1930, durante a Intetona Comunista, abrigou-se nos arredores da Rua Esteves Júnior, na casa do Senhor Otávio Pinho (o primeiro chofer de praça de Florianópolis).

       

Lista, A

   

Que o coronel Luiz Gomes Caldeira de Andrade estava prestes a atingir o generalato. Era o primeiro na lista de promoções. O segundo nesta mesma lista era o coronel Moreira César. O coronel Caldeira de Andrade foi fuzilado na fortaleza de Anhatomirim em 1894, por ordem do coronel Moreira César.

            

Lenha, A

    

Com a inexistência do fogão a gás o combustível era a "lenha em achas" vendida na Praia de Fora ou no Mercado e transportada para as residências em carroça ou em carrinho de mão. Posteriormente, apareceu a lenha em toros, vendida a domicílio pelas várias serrarias da cidade.

     

Moradas, As

    

Quando da mudança de nome da cidade, de Desterro para Florianópolis em 1894, havia no perímetro urbano 852 casas, incluindo prédios públicos e comerciais e 29 ruas.

       

Madrugada no Palácio

  

Que no Palácio Cruz e Souza morreram três pessoas na madrugada do dia 31 de 
Julho de 1893, foi a única vez que morreu alguém numa tentativa de tomada do 
palácio os mortos foram: os civis Manoel Berlink da Silva e João Fonseca Póvoa e o 
soldado da Força Publica José Gomes.

        

Palheiro, O

    

Era o cigarro feito à mão, com o famoso fumo picado 5 Pontas  e o maço de papel já pronto no tamanho exato, porém, enrolado e colado à cuspe.

          

Pasto do Bode, O

    

Foi o título dado ao local onde o saudoso estádio de futebol Adolfo Konder, do Avai, na esquina da rua Bocaiúva com a Mauro Ramos, foi edificado. Apelidado por Fernando Linhares, avaiano, com relação aos bodes do Valoca que pastavam no campo. Saul Oliveira - o Saulzinho, quando foi presidente do clube, mandou retirar os caprinos, justificando: 

"...se ainda fosse carneiro, que come a grama certinha".

         

Paralelepípedos portugueses

    

O início da Rua do Príncipe (Conselheiro Mafra) onde se localizava a firma André Wendhausen & Cia., hoje terreno baldio (ex-hotel La Porta / CEF) foi calçada com paralelepípedos portugueses na extensão da frente do prédio. Estas pedras vinham como lastro nos navios e foram pelo referido comerciante aproveitadas. Como a rua foi calçada e recalçada diversas vezes, ainda se encontram centenas deles espalhados no trecho compreendido entre a Praça Floriano Peixoto e o Mercado Público. O Sr. Arlindo Ferrari foi o maior calceteiro da cidade. 

        

Pedras da Beira-mar, As

    

Algumas ainda existem, os pescadores e velejadores da década de 50 devem se lembrar. Caso a esclerose não interferiu nos computadores cerebrais da época: do Balão, da Balisa, do Biguá, do Borriquete, do Capim, da Praia de Fora (chamadas Primeira, Segunda e Terceira), do Jardim, do Mero, do Pão Sovado, do Parú, do Pombo e a São Luiz.

         

Peregrino, O

        

Que por esse tempo apareceu na vila de Desterro um suposto peregrino, idoso, falando por alegorias, vindo de Cananéias. Atribuído de mandrião, Silva Paes mandou-o trabalhar nas obras das fortificações. Algum tempo depois, em uma manhã, foi encontrado morto, com os joelhos em terra e as mãos levantadas para o céu.

         

Pintura da Igreja, A

    

Um pintor de navio do antigo Estaleiro Arataca, localizado debaixo da ponte Hercílio Luz, foi contratado para executar o serviço de pintura da Igreja São Francisco, começou os trabalhos normalmente, só que de forma inversa, em vez de pintar de cima para baixo, fez o contrário, pintando de baixo para cima, como se fosse casco de navio.

        

Primeiros Prédios, O

    

Entre os primeiros prédios de concreto armado estariam o edifício do antigo IPASE, os do Mário Hotel, Hotel La Porta, Majestic e o Vapor (onde funcionou o Café Jawa).

        

Quadro, O

    

Uma pessoa muito conhecida, querendo se escapar de servir ao exército, ao comparecer ao exame médico, foi perguntado pelo médico oftalmologista qual a letra que ele com uma vara, apontava no quadro. O manezinho de pronto, indagou ao médico: "Qual quadro?

    

Quadrinhas

       

Nos tempos da Farroupilha cantavam estas quadrinhas:
   
"Garibaldi foi a missa
a cavalo sem espora
o cavalo tropicou
Garibaldi pulou fora"

"A mulher de Garibaldi
foi a missa sem balão
Garibaldi quando soube
quis morrer de paixão"

"Os farrapos já diziam
que Laguna era sua
vieram os caramurus
botaram eles p'ra rua"
   
   
Quando D. Pedro I abdicou e deixou o Brasil surgiu esta:
       
"Seguiu viagem p'ra Europa
o nosso Pedro 'penaca'
deixando todo o Brasil
sem uma única Pataca"
   
    
Do padre Paiva para o Poeta do Brejo 
    
"Que lá no Ribeirão, Gulosa Abelha
Da taverna os copinhos namorava.
Puxando, Mandrião, da sota a orelha?
Não conheces? Pois é de Costa Brava.
 
Filho do Bicho, Genro do Savelha
 
Que de tal Pai, tal filho se espera"
    
     

Síndrome da Velhice

    

O saudoso Inácio Brasinha assim definia:

    

O cabelo embranquece.

A vista enfraquece.

A barriga cresce.

E o p... amolece.

    

Sigla T.A.C.

    

Esta sigla era assim definida pelo ilhéu:

   

TAC - Transporta Até Camarão

TAC - Também Anda Caindo

TAC - Tem Atraso Constante

 

A T.A.C. - Transportes Aéreos Catarinenses, evidenciada pelos sucessivos desastres nos idos de quarenta. Nesta época, instalou-se na Rua Conselheiro Mafra uma secção da Assembléia de Deus e na sacada do prédio uma faixa com os seguintes dizeres: Deus vos chama. Dias após, gaiatamente, colocaram outra faixa logo abaixo, com a frase: E a T.A.C. transporta.

    

Sorvete, O

    

A primeira sorveteria instalada foi do Sr. Joaquim Santos, no Mercado Público Municipal, sendo sorveteiro o Sr. Waldemar Firmino dos Santos, o Vidoca. Já, a sorveteria do Sr. Demétrio Garofalis, a Glória, comercializava o sorvete "Bavy", nome este saído da primeira letra de cada filho, a saber: Bernadete, Adi, Vivaldy e Yoldory.

         

Táx lembrado:

         

Na Praça XV...

...do Hotel Taranto;

...do Café Java, do Sr. David C. B. da Silva;

...do Restaurante Estrela, do Sr. Paulo Posito; 

...do Café Popular, do Sr. Stanislau Ligocki, e depois Café Nacional  do Sr. Nicolau Boabaid;

...do Bar e Restaurante Pérola, do Sr. Armando Pereira;

...da Alfaiataria de Geraldo Cardoso, da Relojoaria Galluf e a Sapataria Peluso;

...do Café Bubbi;

...do Restaurante do Sr. Rodolfo Kirchnner "Mangona";

...do Café Comercial;

...do Café Natal;

...do Café Gato Preto;

...do Bar Rin-Tin-Tin, do Sr. Basílio "grego" e esposa Ana, e depois do Sr. Euclides T. Pires, "Quido";

...da agência do Banco do Comércio, nº 166;

...do Bar do Felinto G. Ramos;

...do sobrado do Sr. João Pinto da Luz, na rua do mesmo nome; 

...da primeira agência do Banco do Brasil, ao lado da farmácia;

...da loja Âncora de Ouro, do Sr. José Jorge;

        

Tarados

    

Antigamente a prática dos tarados ilhéus era atacar as mulheres, passando a mão nas coxas, seios, nádegas, etc..., divergindo dos atuais, que é o estupro e morte.

        

Táxi do seo Otávio

    

O 1º motorista de táxi de Florianópolis, o senhor Otávio Pinto, teve também o primeiro ponto localizado na Praça XV. O automóvel, um Ford T acionado à manivela. O curioso era quando, naqueles tempos, algum "chofer" tinha problemas com o seu veículo passava por ele e perguntava: "seu  Otávio escuta ai e diz o problema!".

          

Telhas

   

Numa época remota em que haviam escravos em Desterro, as telhas de calha (tipo colonial) eram moldadas sobre as coxas destes indivíduos.  

    

Títulos, Os

    

Para quem não sabe, "artista" é título dado àqueles que desenvolvem alguma atividade artística como pintor, escultor, alfaiate, sapateiro, etc..., sendo que o Bittencourt era sapateiro destacando-se por lutar pela libertação dos escravos, comprando-os para libertá-los. Outro exemplo é o Arciprestes Paiva, muito criticado por sua conduta familiar, um homem e duas mulheres.  

         

Trânsito, O

    

Em 1925 já existiam os barbeiros, pois, por incrível que pareça uma viatura do Corpo de Bombeiros, na Praça Floriano Peixoto, no Centro, abalroou o Bondinho de Burros.

 

Sabias...?

   

...que o governador Aderbal Ramos da Silva, governou o estado de Santa Catarina de 1947 a 1951. Foi o único Governador a nascer no Palácio Rosado, quando seu avô (Vidal Ramos) era o governador.

 

...que o Artista Bitencourt, Manoel da Silveira Bitencourt, era apenas um simples sapateiro, mas um homem de Grande valor.

 

...que em 1848, era obrigatório usar alguma substância gordurosa nos eixos das carroças para evitar o chiamento. 

 

...que da encosta do Boa Vista (menino deus) descia um córrego. Talvez tenha sido este o retratado na tela de Krusenstern em 1803.

 

...que em 1831, um boato alarmou a capital diziam que as torres da igreja São Francisco estavam por ruir. 

 

...que o Forte Santa Bárbara e o quartel do Campo do Manejo já serviram para tudo, desde Hospital até Salão de Baile.

 

...que os lazaretos daqui na ilha foi no Forte São Francisco (praia de fora) Ilha dos Guarás (baia norte), Forte Santo Antônio (ratão grande) sendo este o mais usado.

 

...que em 23 de novembro de 1853 surge o primeiro livro editado na Desterro: "Memória Histórica do Extinto Regimento de Infantaria de Linha da Província de Santa Catarina", do Major Manoel Joaquim de Almeida Coelho.

 

...que a esposa do Governador Francisco de Souza Menezes, Dona Caetana, era uma amante da música. E para sua casa convergiam os cantadores de modinha. Dizem até que os soldados Amaral e Saraiva, eram assíduos freqüentadores do Palácio. Tanto é que quando o governador Souza de Menezes deixou o governo, presenteou os dois soldados com um sitio na lagoa da conceição.     

 

...que a Biblioteca Pública foi criada pela Lei 373, de 31 de Maio de 1854, sendo seu primeiro diretor Francisco de Paula Marques.

 

...que o Regimento Barriga-Verde passou mais tempo defendendo o solo riograndense que o solo de sua terra natal.   

 

...que o primeiro Brasileiro a governar nosso estado (província) foi o Cel. Manoel Soares Coimbra, em 1791.

 

...que em 1839, os Fortes São Luiz e São Francisco foram vendidos em Leilão público pela quantia de 202$000 isso não pagava nem as CANTARIAS dos seus portões.

 

...que o primeiro efetivo de nossa Polícia Militar contava com apenas 52 homens.

 

...que as "mulheres" ou companheiras de Padres tinham a crendice de origem medieval de que quando morriam virariam MULA-SEM-CABEÇA.

 

...que o ouvidor de Paranagua  ANTONIO ALVES LANHA PEIXOTO esqueceu de rubricar 
o livro de Criação da Vila de Nossa Senhora do Desterro, acho que tinha muita pressa 
em sair daqui da ilha.

 

...que em 1786, exportava-se Anis (planta) daqui da ilha.

 

...que o quartel do Campo do Manejo custou aos cofres públicos a bagatela de 600$000 réis.

 

...que o primeiro Ouvidor da Província que nasceu Aqui na ilha foi Luiz Carlos Muniz Barreto de família pouco abastada. Doutorou-se em Magistratura no Colégio dos Nobres em Lisboa.

 

...que em 1845, quando Dom Pedro II esteve aqui na ilha, ele foi visitar as Vilas de São José e as Caldas do Cubatão. 

 

...que nos dias 9,10,11 de Março de 1838, um grande Pampeiro causou grande estrago na Ilha e no continente fronteiriço. O governo Imperial mandou repartir 40$000 réis entre os habitantes. Aqui na ilha só chegaram 20$000 réis e a população nada recebeu.

  

...que no palácio Cruz e Souza existem 2 estátuas em sua fachada MERCÚRIO, deus do comércio e ANFITRITE sintetizando o gosto pelo mar.

  

...que por volta de 1900 existia aqui na Ilha:  

1 fundição de Pontas de Carl Hoepcke&Cia;

2 fabrica de Peixe em lata;

3 fábrica de Cerveja;

1 fábrica de Sabão e Vela;

1 fábrica de Massas alimentícias; e 

1 engenho a vapor.  

 

...que poderia morar no centro e ter uma casa de veraneio na praia de fora (beira mar norte). 

 

...que a pedra grande (agronômica), por sua situação longínqua, já tinha aspecto de freguesia.

 

...que Dona Joana de Gusmão morreu a 16 de novembro de 1780 aos 90 anos.

 

...que existia uma rua que ia ate Detrás dos Morros (trindade) pelo Morro do Pau da Bandeira.

 

...que o antropólogo Português Coutinho andou pelo Brasil estudando os restos de cozinha (KJÖKKENMÖDDINGS).

    

...que em Viena no ano de 1815, a Inglaterra ainda não satisfeita de reclamar para si as ilhas da Madeira, também queria a Ilha da Santa Catarina, no sul do Brasil.

 

...que o Morro do Padre Doutor (lagoa da conceição) tem 450m.

 

...que a denominação de Ingleses possivelmente vem de "Uma barca desta nacionalidade que aí varou, com uma lestada, em fim do século passado (1799). Essa embarcação, segundo dizem, viera tocada e com água aberta do mar alto e encalhou na praia em frente a ilhota Mata-Fome".

    

...que Dona Clara Manso casada com Francisco Antônio Branco, filha do Sargento-Mor Manoel Manso Avelar, Morava em Santo Antônio de Lisboa durou 100 anos e faleceu em 22/10/1790. Dizem que ainda existem nesta localidade alguns parentes desta senhora.

 

...que o Itacorubi fica entre a ponta do Sambaqui e a Ponta do Recife (extremo norte da cidade). Nele deságuam três rios. O rio do Manoel Antônio, o rio do Bornelas e o rio do Lessa ou do Amorim, cuja nascente é no morro do Padre Doutor. (nota do autor: hoje só existe 2 destes rios).

 

...que em 1717, Sebastião da Veiga Cabral requereu a doação da Ilha de Santa Catarina, por ser ela DESERTA E INABITADA.

 

...que no governo de Pereira Pinto Tomou conta da Ouvidoria o primeiro "Filho da Terra", Dr. Luiz Carlos Muniz Barreto formado em Coimbra.

 

...que João Vieira Tovar mandou edificar um hospital com quartos de Banho nas Caldas do Cubatão.

 

...que o primeiro jornal da Província foi o "O CATHARINENSE", presidido por Jerônimo Coelho. Tinha o formato 0,19 X 0,30. Seu primeiro numero foi distribuído no dia 11 de agosto de 1831.

 

...que a ilha das vinhas (frente ao José Mendes) eram um depósito de combustível mas antes disso o Senhor José Mendes Plantou muita uva lá.

 

...que existia na ponta do Leal um depósito de combustível com 3 grandes latões, da Texaco. E que sempre vinha navios petroleiros descarregar.

 

...que o primeiro Hotel do Estreito foi o hotel Neves que ao lado tinha uma cocheira para guardar os cavalos dos hóspedes, ao lado do Cine Glória.

 

...que em 1831 só não abriam aos domingos e dias santificados, os botequins e as biroscas, pois o pessoal "enchia a cara" e ia fazer baderna nas ruas da cidade.

 

...que um suicídio singular foi do escravo do Sr Nicolau Izeto. Estava com o crânio desfeito por uma explosão, sem que existisse por perto qualquer arma de fogo.

Sendo provável que o negro tenha enchido a boca de pólvora e tenha ateado fogo.

 

...que uma mulher reclamou através de ofício ao governador que seu marido, ausente da ilha, vivia em concubinato com 2 escravas, donde tinha vários filhos. O governador mandou buscar o marido de volta e o obrigou a viver com a esposa.

 

...que em Santo Antônio de Lisboa nasceu, entre outros o Padre Lourenço Rodrigues de Andrade, que foi um dos representantes do Brasil na corte de Lisboa.

 

...que em 1836, o Barão de Tefé escreveu as cartas hidrográficas das baías de Desterro.

 

...que a capela da Armação da Piedade foi erguida em 1746 quando ali foi fundada a armação grande, por concessão a Tomé Gomes Moreira e mais 7 negociantes da praça de Lisboa.

 

...que a freguesia de Viamão (RS) pertencia ao Distrito de Laguna. Que no governo de Souza de Menezes, diziam as más línguas que quem governava a capitania era o desembargador José Mascarenhas Pacheco Pereira de Melo, preso incomunicável em Anhatomirim.  

 

...que o primeiro moço a se apresentar como Voluntário da Pátria, para combater no Paraguai, foi Fernando Gomes Caldeira de Andrade.

 

...que em 1880, a Assembléia Legislativa tratou da mudança da capital para Lages. 

 

...que Severiano Müller foi o primeiro governador do estado de Santa Catarina.

 

...que de 1793 a 1814 o Regimento Barriga Verde foi fardado e calçado a suas próprias custas.

 

...que os restos mortais do governador Hercílio Pedro da Luz, encontram-se junto a sua estátua no obelisco na cabeceira da ponte Hercílio Luz. Que com a morte de sua esposa, o governador Hercílio Pedro da Luz casou-se com sua cunhada (irmã de sua esposa). Ela era vinte e seis anos mais nova que ele e ele era padrinho de batismo dela.

 

...que o casarão da Agronômica conhecido como o Santa Catarina Country Club foi a magnífica residência da família Carvalho.

 

...que a trinca da Folia de Reis era composta de rabeca, violão e tambor.

 

...que em 1890 foi inaugurada a praça da Praia de Fora (hoje praça Esteves Junior)

  

...que em 1880 existia na capital 8 praças, 47 ruas, 4 travessas, 8 becos, 8 igrejas ou capelas, 2 cemitérios (um público outro luterano).

 

...que em 10 de outubro de 1831 criou-se a Força Municipal, que se extinguiu em 05 de maio de 1835 quando foi criada a força pública.

   

...que a nossa marinha mercante, que a principio era tudo a vela, teve seu primeiro vapor em 1819.

 

 



"A História de uma Cidade". Adolfo N. da Silva.

Depoimento: “Vozes da Lagoa”. Ourofino, Bebel e Borges, Elaine