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Bloco do Manezinho-folião
Aqui tem manezinho folião
Nesta seção estarão em destaque artesãos e artistas plásticos que trazem, em suas obras,
temas relacionados com Florianópolis e seu cotidiano.
Os interessados em ocupar este espaço é só mandar algum material de divulgação.
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O Carnaval
Para alguns pesquisadores o carnaval tem raízes históricas que remontam aos bacanais e a festejos similares em Roma; alguns historiadores mais ousados chegam mesmo a relacionar o carnaval a celebrações em homenagem à deusa Ísis ou ao deus Osíris, no Egito antigo. Uma outra corrente acredita que a festa iniciou-se com a adoção do calendário cristão. Em Roma havia uma festa, a Saturnália, em que um carro no formato de navio abria caminho em meio à multidão, que usava máscaras e promovia as mais diversas brincadeiras. Essa festa foi incorporada pela Igreja Católica, e segundo alguns a origem da palavra carnaval é carrum navalis (carro naval). Essa etimologia, entretanto, já foi contestada. Actualmente a mais aceite é a que liga a palavra "carnaval" à expressão carne levare , ou seja, afastar a carne , uma espécie de último momento de alegria e festejos profanos antes do período triste da quaresma. Em 1091 a data da Quaresma foi definitivamente estabelecida pela Igreja Católica; como consequência indireta disso, o período de Carnaval se estabeleceu na sociedade ocidental, sofrendo, entretanto, certa oposição da Igreja, na Europa. Embora alguns papas tenham permitido o festejo, outros o combateram vivamente, como Inocêncio II. À seqüência do Renascimento o Carnaval adotou o baile de máscaras, e também as fantasias e carros alegóricos. Ao caráter de festa popular e desorganizada juntaram-se outros tipos de comemoração e progressivamente a festa foi tomando o formato atual, que se preserva especialmente em regiões da França (ver Mardi Gras), Itália e Espanha.
Entrudo e Carnaval
Antes da festa carnavalesca brasileira tomar sua forma moderna o que havia era o entrudo. Em finais do século XVIII, o entrudo era praticado nas principais cidades do país consistindo, principalmente, em uma batalha de água, tintas, frutos, papel e o que mais estivesse a mão. A brincadeira acontecia dentro das casas - sob a forma do "Entrudo Familiar" ou nas ruas - sob a forma do "Entrudo Popular". Este muito mais violento e grosseiro, envolvendo a população mais carente e os escravos. As primeiras tentativas de civilizar a festa carnavalesca brasileira - através da importação dos bailes e dos passeios mascarados parisienses - vão colocar o Entrudo Popular sob forte controle policial. A partir dos anos 1830, uma série de proibições vai se suceder na tentativa, sempre infrutífera, de acabar com a festa grosseira. A brincadeira do entrudo prosseguirá, a despeito de todas as proibições, até as primeiras décadas do século XX. Até hoje, ecos dessa diversão carnavalesca podem ser vistos no carnaval das ruas de Olinda, na pipoca do carnaval baiano e nos blocos de rua cariocas.
O Corso Carnavalesco
Era uma brincadeira que consistia em desfilar com carruagens enfeitadas e, posteriormente, com automóveis sem capota, repletos de foliões que circundavam a praça XV e ruas adjacentes do centro, já na antiga Desterro. Ao se cruzarem, os ocupantes fantasiados destes veículos, lançavam uns nos outros, confetes, serpentinas e esguichos de lança-perfume. Brincadeira exclusiva das elites, brincava quem possuía carro ou quem podiam pagar seu aluguel nos dias de carnaval.
Blocos de Sujo
São manifestações típicas do carnaval de rua, onde o improviso e a desorganização fazem a regra. Geralmente, formado por um grupo de foliões com fantasias improvisadas, ou mesmo de roupa comum surradas, que se reúnem e ao som de instrumentos também improvisados que desfilam pelas ruas da cidade e principalmente na Praça XV, cantando, bebendo e dançando. Grupos menos desorganizados satirizam as principais questões sócio-culturais que acercam o cotidiano da sociedade nacional sempre em tom de irônico e de deboche, ao contrário dos antigos carnavais quando os trajes eram comuns entre os componentes, os trajes atuais utilizam a temática do travestido, vestindo-se o homem de mulher e vice-versa. Estandartes, faixas e cartazes satirizantes, avisam a presença destes grupos que chegam a Praça XV, onde ocorre a apoteose. Estas manifestações são consideradas o ponto forte do carnaval de Florianópolis, o que virou atração para os nativos e turistas que sentem-se atraídos a deslocarem-se ao centro da cidade somente para apreciarem a algazarra destes foliões.
Grupos e Sociedades Carnavalescas
Sociedade Carnaval Destherrense - 1858 a 1861 Sociedade Harmonia Carnavalesca - 1858 Sociedade União Carnavalesca - 1858 Sociedade Recreio Carnavalesco - 1859 Sociedade Carnavalesca Netos do Diabo - 1861 Sociedade Bailante Recreio Familiar - 1861 Sociedade Carnavalesca dos Artistas - 1868 Sociedade Pagode Carnavalesco - 1870 Sociedade Carnavalesca os Democratas - 1872 Sociedade Carnavalesca Romeiros da Alegria - 1873 Sociedade Beduínos Carnavalescos - 1877 Sociedade Carnavalesca Companheiros do Silêncio - 1879 Sociedade Carnavalesca Filhos do Purgatório - 1879 Sociedade Carnavalesca Filhos do Satanás - 1879 Sociedade Democrática Bailante Carnavalesca - 1882 Sociedade Estrela do Oriente - 1882 Sociedade Carnavalesca os Carambolas - 1882 Sociedade Carnavalesca Tenentes do Diabo (ex-Netos do Diabo)- 1882 Sociedade União Artística - 1882 Sociedade do Pau Grande - 1883 Sociedade Carnavalesca Diabo-a-Quatro - 1883 Sociedade Carnavalesca Bons Arcanjos (ex-Filhos do Satanás) - 1884 Sociedade Carnavalesca os Silenciosos - 1887 Grupo dos Críticos - 1887 Grupo dos Silenciosos e Violas - 1887 Sociedade Carnavalesca Praia de Fora - 1889 Sociedade Carnavalesca Ganchos do Oriente - 1891 Grupo dos Pândegos - 1893 Grupo Treme-Terra - 1893 Sociedade Carnavalesca Pantomineiros -1896 Grupo Carnavalesco Momista - 1899 Grupo Carnavalesco Saca-Rolha - 1899
Bandas
Sociedade Musical Amor a Arte - 1880 Sociedade Musical Lyra Artística - 1881 Sociedade Musical Philarmônica Comercial - 1882 Sociedade Musical Guarany - 1883 Sociedade Musical Igualdade - 1886
Grandes Sociedades
Filhos de Minerva Sociedade Repentino Sociedade Granadeiros da Ilha - 1949 Sociedade Tenentes do Diabo - 1915/1949 Sociedade Limoeiro Sociedade Trevo de Ouro
Baiana, Unidos da Coloninha
Escolas de Samba
Escola de Samba Narciso e Dião - 1948 Escola de Samba Protegidos da Princesa - 1948 Clique para ouvir Escola de Samba Embaixada Copa Lord - 1954 Escola de Samba Filhos do Continente - 1958 Escola de Samba Unidos da Coloninha - 1962 Escola de Samba Acadêmicos do Samba - 1970/71 Escola de Samba Império do Samba - 1971 Grêmio Recreativo e Escola de Samba Consulado - 1986
Breve Histórico do surgimento dos desfiles
O desfile das escolas de samba nasceu da disputa promovida em 1929 por um pai-de-santo que chamava-se José Gomes da Costa, conhecido nas rodas de batuque como José Spinelli ou Zé Espinguela. Mulato alto, rosto cravejado de espinhas, morador da rua Engenho de Dentro, hoje AdoIfo Bergamini, perto de onde hoje existe a quadra da "Arranco do Engenho de Dentro". Lá ficava também seu terreiro. Espinguela era mulherengo. Casado, tinha vida comportada no Engenho de Dentro, onde abrigava filhas-de-santo dentro de casa. Mas também tinha mulher no morro de Mangueira. Lá era querido por todos, principalmente pelo jeito festeiro. Trabalhava no "Jornal Vanguarda". Anunciava aniversários e mortes de sambistas, publicava algumas letras e tinha prestígio com os grandes nomes da música popular na época, entre eles, Francisco Alves. Naquele tempo, o samba e a giria tinham ligação muito íntima. Depois das sessões em louvor aos orixás, começava a batucada. Tinha que ser coisa muito discreta, quase secreta, por causa das proibições impostas pela polícia. O preconceito era tão grande que a batucada era vista como crime e batuqueiro, como marginal. Quando pegavam os sambistas em flagrante, os homens da lei chegavam batendo. Depois, algemavam e prendiam. Apesar do perigo, as reuniões eram gostosas. Não havia ninguém melhor do que Zé Espinguela para organizá-las. Juntava meia dúzia de bambas, distribuía bebida à vontade e desafiava os compositores. Escolhia um tema, propunha que fizessem sambas sobre o assunto e premiava os vencedores. A coisa pegou. A primeira disputa do samba carioca aconteceu no dia do padroeiro da cidade. Foi num domingo, 20 de janeiro de 1929, quando parte da população festejava São Sebastião na igreja a outra se concentrava nos terreiros, saudando Oxossi. No terreiro da Rua Engenho de Dentro, Zé Espinguela reuniu sambistas dos principais redutos de batucada do Rio. Vieram os do Conjunto Oswaldo Cruz, que mais tarde daria origem à "Vai Como Pode", depois "Portela"; os do "Estácio", representando a "Deixa Falar", o primeiro grupamento de batuqueiros a usar o dístico de escola de samba; e os da "Mangueira". fonte: www.academiadosamba.com.br
Cronologia do Carnaval Ilhéu
1832 - Primeira lei proibindo o entrudo na Ilha 1834 - Introduzido o uso de máscaras 1835 - Primeiros bailes carnavalescos no Brasil 1856 - Edital da Câmara regulamentando o carnaval na Ilha 1858 - Fundação da Sociedade Carnavalesca "Carnaval Destherrense" 1868 - Surge o bloco "Recreio Carnavalesco" 1870 - Fundação da Sociedade Carnavalesca "Pagode Carnavalesco" 1872 - Surge o bloco "Os Democratas" 1879 - Fundadas as sociedades carnavalescas "Diabo a Quatro", "Companheiros do Silêncio" e "Filhos do Purgatório" 1883 - Primeiro baile carnavalesco no "Teatro Santa Isabel" - hoje TAC 1884 - Surge o bloco "Bons Arcanjos" 1890 - Surge o bloco "das Carpideiras" 1912 - Fundação da Sociedade Carnavalesca "A Repentino" 1915 - Fundação da Sociedade Carnavalesca "Tenentes do Diabo" 1934 - Surge o bloco "Trem Azul" 1938 - Surge o bloco "Os Bororós" 1940 - Primeira participação do Rei Momo 1948 - Fundada a Primeira Escola de Samba "Narciso e Dião" - Fundada a Escola de Samba "Protegidos da Princesa". 1949 - Fundação das grandes sociedades carnavalescas "Granadeiros da Ilha e "Tenentes do Diabo" 1954 - Fundação da Escola de Samba "Embaixada Copa Lord" e do bloco "do Lira" 1956 - Surge o bloco "Os Cangaceiros" 1958 - Início da participação da Escola de Samba "Filhos do Continente" 1961 - Proibido o uso do lança-perfune 1962 - O radialista Allan Braga grava LP de carnaval - Fundada a Escola de Samba "Unidos da Coloninha" 1969 - Fundação da grande sociedade "Trevo de Ouro" 1970 - Surge a "Acadêmicos do Samba" 1971 - Realização do primeiro baile público municipal na Ilha; - Fundação da "Banda Philarmonica Desterrense" - Fundação das escolas de samba "Acadêmicos do Samba" e " Império do Samba" 1977 - Surge o bloco "Sou+Eu e a Banda "Mexe-Mexe" 1981 - Surge a Banda "Amor a Ilha" 1986 - Surge o bloco "Ânsia de Vômito" e fundada a Escola de Samba "Consulado" 1988 - Bodas de Ouro do folião e Rei Momo "Lagartixa" 1994 - Surge o bloco "Berbigão do Boca" 1995 - Inauguração do Museu do Carnaval e lançado o troféu "Oscar Berendt" 1996 - Lançado o CD "Sambas de Enredo" do Grupo Especial do Carnaval de 96
Mane-folião
Abelardo Henrique Blumemberg "Avez-Vous" Aldírio Simões "Dírio" Celso Pamplona Cláudio Alvim Barbosa "Zininho" Osvaldo Gonçalves "Dico" Nilson Nelson Machado "Duduco" Erotides Helena da Silva "Nega Tide" Hernani Luiz Barbosa "Hulk" (Rei Momo) Hilton da Silva "Lagartixa" (Rei Momo) João Sebastião da Silva "Dião" Juventino João dos Santos "Nego Querido" Luiz Henrique Rosa Lyra (Rei Momo) Maurício Amorim Neide Maria Rosa "Narciso" Lima Ocy Campos (Rei Momo) Waldir Brasil (Rei Momo)
Homenagem ao Folião-Mór "Lagartixa"
Nascido em 07 de maio de 1925, Hilton da Silva só foi registrado pelos pais Edmundo Luiz da Silva e Maria das Dores da Silva em 30 de junho. A alegria e descontração sempre foram características marcantes na personalidade do jovem, que costumava brincar o carnaval vestido de mulher, mesmo depois que assumiu a função de Rei Momo na Ilha. Casou-se com Letícia Gomes de Azevedo, uma goiana 15 anos mais moça do que ele e, com ela, teve 11 filhos: Paulo César, Luís Humberto, Valéria, Jorge Luís, Mara Rúbia, Jussara, Patrícia, Kênia Tatiana, Marcus Vinícius, Júlio César e Míriam Andréa da Silva. Apesar de grande, a família entendia e aceitava a opção do sambista, que no dia-a-dia era funcionário da Prefeitura de Florianópolis, mas uma vez por ano vestia o traje de Alteza do carnaval da Ilha. Sua função como Majestade Imperial era abrir os bailes e desfilar à frente das escolas de samba, sempre acompanhado de belas rainhas. Lagartixa era tão agitado na Florianópolis antiga que, aos sábados, segundo contava o jornalista Aldírio Simões, já falecido, reunia-se com boêmios na Confeitaria Chiquinho, e entre um chope e uma empadinha Manita, contagiava os frequentadores do local improvisando óperas com sua voz rouca e esganiçada. O gordo fanfarrão dava continuidade ao show no Miramar e, mais tarde, na feijoada do Restaurante Tritão. O mais popular Rei Momo de Florianópolis começou a enfrentar problemas de saúde no final da década de 80. Em 1985, puxava a perna esquerda por causa de um derrame. Em 1987, Lagartixa fez o último desfile, passando o cetro e a coroa ao seu sucessor Hernani Hulk, eleito Príncipe Regente. Diabético, Hilton da Silva resistiu ao segundo derrame cinco anos depois. Mas na terceira investida, em fevereiro de 1997, já com duas pernas amputadas, a doença o venceu. Depois de internado vários dias no Hospital Florianópolis, o eterno Rei Momo morreu no dia 18 de fevereiro, aos 71 anos de idade.
Biografia:
07/05/1925 – nasce Hilton da Silva; 30/06/1925 – tem o registro de nascimento oficializado no Cartório Faria; 1935 – surge em Florianópolis a figura do Rei Momo; 1940 – Lagartixa fica conhecido como folião dos carnavais de Florianópolis, sendo lembrado para a função de Rei Momo; 1940 – surge na Ilha o bloco "Aí vem a Marinha", cujos integrantes vestiam-se de mulher, prática que foi adotada pelo carnaval ilhéu e por Lagartixa; 1985 – sofre o primeiro derrame e passa a andar com dificuldade; 1986 – participa do último carnaval como Rei Momo; 1991 – sofre o segundo derrame; 1997 – sofre o terceiro derrame e tem as pernas amputadas; 18/02/1997 – morre Lagartixa.
Sobre o "Carnaval" em Portugal: |