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Exuberante e bela, é simplesmente a Ilha da Magia

 


 

A maioria dos autores enquadra a vegetação da Ilha em duas regiões botânicas, "Vegetação Litorânea" e "Floresta Pluvial da Encosta Atlântica". Na primeira estão incluídas a vegetação dos manguezais, a vegetação de praia, a vegetação de duna, a vegetação de restinga e a floresta das planícies quaternárias.

Dentre as "formações vegetais climáticas" (vegetação mais influenciada pelo clima do que pelo solo) inclui-se na Ilha somente a "Floresta Pluvial da Encosta Atlântica", a Mata Atlântica. Distribuía-se originalmente por todas as encostas dos morros da Ilha, ocorrendo atualmente, com as características originais apenas em alguns locais, encontrando-se sua maior parte ainda existente em diferentes estágios de regeneração, como veremos melhor adiante. 

 

 


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Mata Atlântica

 

 

Floresta Pluvial da Encosta Atlântica

 

A formação vegetal comumente conhecida como "Mata Atlântica", apresenta uma série de diferentes denominações como "Mata Pluvial Tropical"  e "Floresta Perenifólia Latifoliada Higrófila Costeira". "Floresta Ombrófila Densa", que assinala os aspecto do sombreamento e da densidade, é outro nome comumente encontrado. A denominação "Mata Atlântica", é dada pelos autores para indicar a vizinhança desta floresta com o Oceano Atlântico ao longo de toda a sua distribuição. Portanto, vê-se que os nomes expressam características geográficas e/ou ecológicas. Neste sentido, KLEIN (1978), ao classificar a vegetação original de Santa Catarina, usou os nomes "Floresta Tropical Atlântica" e "Floresta Pluvial da Encosta Atlântica".

A Mata Atlântica distribuía-se originalmente do Rio Grande do Norte até o nordeste do Rio Grande do Sul na região de Osório, acompanhando o litoral, numa faixa que podia penetrar o interior numa extensão maior ou menor conforme a localização e principalmente o relevo, acompanhando a cadeia de montanhas que segue a costa brasileira ao longo desta distribuição. Esta cadeia de montanhas permite que os ventos e massas de ar úmido que vêm do Atlântico subam, ao encontrar esta barreira, se condensando e precipitando sobre a região em forma de chuvas.

Segundo KLEIN (1979) a elevada pluviosidade (chuvas) da região é que proporciona a umidade quase idêntica às florestas equatoriais (amazônicas, por exemplo). Isto permite o desenvolvimento de uma floresta tropical mesmo em regiões subtropicais, ou seja, em latitudes mais ao sul do trópico de Capricórnio que atravessa o Brasil na altura de São Paulo. Logo, percebe-se que os nomes desta floresta que apresentam as expressões "pluvial atlântica" ou "pluvial da encosta atlântica", se referem as características geográficas e climáticas que condicionam sua existência. Neste sentido o nome "Mata Atlântica" define bem e resumidamente esta floresta, assinalando a importância do oceano atlântico na sua formação além de marcar um bom referencial de sua distribuição.

Áreas desmatadas, queimadas ou abandonadas após uso agrícola, que se regeneram posteriormente, fazem parte igualmente do domínio da Mata Atlântica, desde que ocorram em sua área de distribuição. Assim, muitas áreas que não mais estejam sendo usadas para agricultura ou que não foram ocupadas definitivamente por outro tipo de uso do solo, como áreas urbanas por exemplo, encontram-se em diferentes estágios de regeneração: capoeirinha, capoeira e capoeirão, sendo este último um estágio mais avançado de regeneração, já com um maior número de árvores de porte médio e grande, podendo se assemelhar em fisionomia à mata original. O tempo de regeneração necessário para alcançar níveis ao menos semelhantes a mata original varia muito de acordo com a intensidade com que o solo foi usado e mesmo com as condições originais deste. A reincidência, por vezes sucessivas de queimadas nas primeiras fases do processo de regeneração, quando o fogo age com sucesso devido o ambiente ainda ser pouco úmido e a vegetação, ainda composta predominantemente de ervas e arbustos, ser mais combustível, pode atrasar muito o processo.

Na Ilha de Santa Catarina a Mata Atlântica distribui-se quase que exclusivamente nas encosta dos morros, sendo encontrada atualmente, em sua grande maioria, em diferentes estágios de regeneração (ver mapa em anexo). Pode-se dizer, portanto, que toda vegetação encontrada nos morros da Ilha, faz parte da Mata Atlântica, mesmo a que não apresenta características florestais por se encontrar em estágios inicias de regeneração.

Segundo CARUSO (1990) a Mata Atlântica representava originalmente 74% da cobertura vegetal da Ilha de Santa Catarina, ou 313 km2, tendo sido desmatada até 1978 em 87,8% de sua área, restando apenas 12,7% ou 39,9km2, principalmente nas regiões mais inacessíveis das encostas. Mesmo as áreas remanescentes que não foram desmatadas totalmente, sofreram extração seletiva das maiores árvores de valor econômico. Portanto, mesmo estas áreas não apresentam uma "mata primária" realmente típica, dada a este tipo de exploração. Estas áreas remanescentes mais significativas estão localizadas geralmente nas partes mais altas das encostas, principalmente na região da Lagoa do Perí, Ribeirão da Ilha e Maciço da Costeira e Rio Tavares, no sul da Ilha e Monte Verde, Costa da Lagoa e Ratones no norte da Ilha (ver mapa em anexo). Ainda de acordo com CARUSO (1990), a cobertura vegetal da Ilha começou a sofrer uma exploração realmente efetiva após o estabelecimento das colônias de origem açoriana, aproximadamente em 1750. A partir desta época os diversos tipos de exploração da madeira (para lenha, construção naval, civil, de móveis e para exportação) se intensificaram. Mas ainda segundo CARUSO (op cit.) foram os desmatamentos realizados para abrirem espaço para a agricultura os principais responsáveis pelo impacto sobre a vegetação. A baixa fertilidade dos solos da Ilha e a grande declividade de muitas áreas que acentuam o problema da erosão, aliada às práticas rudimentares de cultivo que não conservam a terra, contribuiu para que sucessivamente novas áreas fossem desmatadas para dar lugar à novas "roças", devido ao rápido abandono da terra enfraquecida.

O município de Florianópolis possui atualmente apenas 2,96% de sua força produtiva no setor primário, sendo esta baixa representatividade relacionada à valorização das terras devido a atividade turística e a especulação imobiliária, o que reduz o espaço para a agropecuária (atividade que ocupava já em 1985 apenas 26% da área do município).

É importante ressaltar ainda que a maior parte desta força de trabalho (do setor primário) está alocada na pesca. Portanto, o flagrante declínio da agricultura e da pecuária na Ilha, representa o abandono generalizado das terras para este fim, o que proporcionou a regeneração espontânea da vegetação que se encontra hoje, como já dissemos, em diferentes estágios. Frente a esta realidade, é possível mesmo afirmar que a Ilha possui hoje mais floresta "em pé", do que no período em que a agropecuária estava no seu auge. Entretanto, sabemos que esta atual "floresta em pé" está longe de ser a mesma, em termos de diversidade e estrutura, que a encontrada pelos primeiros colonizadores.

Frente a esta nova realidade, podemos afirmar que atualmente a principal ameaça à Mata Atlântica na Ilha é a expansão urbana, uma vez que as "derrubadas" e "queimadas" para a abertura de pequenas roças, são pouco expressivas. Aliada à esta crescente expansão urbana, cada vez mais marcante nos bairros periféricos, na forma de loteamentos e ocupações ilegais ou não, encontra-se também o problema da exploração mineral. Esta é representada basicamente pela exploração de "barreiras" (extração de argila) e de pedreiras (granito). A exploração ilegal do granito se dá em várias encostas da Ilha, principalmente no Saco Grande II, em pontos isolados e quase sempre escondidos, são conhecidos como "pica-paus". Estes pontos de retirada de pedras, além de causarem prejuízo direto à vegetação, indiretamente acabam por criar "condições" para ocupação ilegal e desordenada das encosta, sem o mínimo de infra-estrutura urbana, dada as estradas e desmatamentos feitos para a exploração das pedras. No bairro do Rio Tavares ocorre a exploração legal mas não menos impactante do granito, que também avança sobre a vegetação secundária da Mata Atlântica em adiantado estado de regeneração.

A Mata Atlântica possui muita notoriedade no cenário nacional dos movimentos e iniciativas de conservação. A própria Constituição Brasileira a considera patrimônio nacional, afirmando que sua utilização se dará na forma da lei, "dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais". Este mesmo tratamento é dado pela Constituição do Estado de Santa Catarina, que a qualifica, juntamente com outros ecossistemas, como "área de interesse ecológico, cuja utilização dependerá de prévia autorização dos órgãos competentes homologada pela Assembléia Legislativa, preservados seus atributos especiais".

A nível federal o mais recente dispositivo legal de preservação da Mata Atlântica é o decreto presidencial 750/1993, que "dispõe sobre o corte, a exploração e a supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica". A resolução emitida pelo CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente), que regulamenta o decreto para Santa Catarina é a nº 4, de 4 de maio de 1994. Porém esta iniciativa federal tem provocado muita polêmica e portanto ainda não se encontra bem definida.

A nível municipal as APPs (Áreas de Preservação Permanente) instituídas pelo Plano Diretor do Município de Florianópolis, abrangem grandes áreas de Mata Atlântica da Ilha. Estas áreas "são aquelas necessárias à preservação dos recursos e das paisagens naturais e à salvaguarda do equilíbrio ecológico", incluindo topos de morros e encostas com declividade igual ou superior a 46,6%, além de manguezais, dunas, etc. São áreas "non aedificandi, ressalvados os usos públicos necessários, sendo vedada nelas a supressão da floresta e das demais formas de vegetação (...)". Portanto, como a Mata Atlântica da Ilha distribui-se quase que exclusivamente nas encostas, ela é beneficiada por mais este dispositivo legal de preservação (ver mapa em anexo). No entanto, a vegetação de Mata Atlântica que se distribui abaixo da cota de 100 m de altitude, ou em declividade inferior a 46,6%, não é protegida por esta lei. Geralmente estas áreas estão incluídas em APLs (Áreas de Preservação com uso Limitado), também instituídas pelo Plano Diretor. Nestas a ocupação e retirada da vegetação são permitidas dentro de certos critérios restritivos.

Além dos mecanismos legais descritos até aqui, várias unidades de conservação (parques, reservas, etc.) municipais e estaduais, assim como atos de tombamento, também abrangem áreas de Mata Atlântica, são elas: Parque Florestal do Rio Vermelho (apenas pequena parte abrange Mata Atlântica, no extremo norte da Costa da Lagoa, o restante abriga vegetação de restinga); Parque Estadual da Serra do Tabuleiro (parte do parque abrange o extremo sul da Ilha, praia do Naufragados); Parque Municipal da Lagoa do Perí; Parque Municipal da Galheta; Parque Municipal da Lagoinha do Leste, o Parque Municipal das Dunas da Lagoa, o Parque Municipal do Maciço da Costeira e Decreto Municipal nº 247/86 que tomba a região da Costa da Lagoa como Patrimônio Histórico e Natural do Município.  

 


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Vegetação Litorânea

 

 

Manguezais

 

Os manguezais constituem "parte típica da vegetação litorânea intertropical, situadas em partes planas, inundáveis na maré alta e emersas na baixa mar, acompanhando as margens das baías e desembocaduras de rios".

Na Ilha de Santa Catarina os manguezais estão localizados exatamente nas margens das baías Norte e Sul, nas desembocaduras dos principais rios da Ilha, onde encontram características físicas e químicas para ocorrerem. São em número de cinco, Ratones, Saco Grande e Itacorubi na Baía Norte e Rio Tavares e Tapera na Baía Sul.

O número de espécies de árvores que ocorrem em manguezais de regiões equatoriais e tropicais é bem superior ao que ocorre em nossa latitude. Nos manguezais da Ilha ocorrem apenas 3 espécies de árvores, a "siriúba" (Avicennia schaueriana), o "mangue branco" (Laguncularia racemosa) e o "mangue vermelho" (Rizophora mangle). Ocorrem ainda duas espécies de gramíneas, Spartina alterniflora e S. densiflora. Em geral, predomina nos manguezais da Ilha a "siriúba", sendo o "mangue vermelho" a espécie mais rara.

Nas áreas mais secas próximas aos manguezais, encontra-se comumente, numa faixa de transição para a vegetação de restinga ou de Mata Atlântica, uma vegetação formada por Hibiscus tiliaceus ("algodoeiro-da- praia"), Acrostichum danaefolium ("samambaia-de-folhas-grandes") e ainda Annona glabra ("corticeira") e Rapanea parvifolia ("capororoca do brejo").

 

 

Restingas

 

Restinga é uma palavra muito usada na literatura brasileira, sobre ambientes costeiros, tanto para designar um tipo de vegetação costeira, como para referir-se à áreas de depósito arenoso de origem marinha. O duplo uso da palavra, ou seja, num sentido ecológico e/ou botânico e num sentido geomorfológico, deve-se exatamente a estreita relação que esta vegetação tem com o solo em que ocorre. Por vezes, a vegetação de restinga é definida simplesmente como a vegetação que ocupa este tipo de solo. Como já dissemos anteriormente, trata-se de uma vegetação edáfica (mais condicionada pelas condições do solo do que pelo clima).

A vegetação de restinga ocorre quase que exclusivamente nas planícies costeiras, que são unidades geomorfológicas formadas por sedimentos marinhos (areia) ao longo da costa.

As restingas são caracterizadas, em geral, por superfícies baixas e levemente onduladas, com suaves declives rumo ao mar. Os ecossistemas de restingas são caracterizados por solos pobres em argila e matéria orgânica.

Normalmente costuma-se dividir a vegetação litorânea de restingas entre aquela que ocorre na linha de praia, portanto mais próxima do mar e aquela que ocorre mais interiormente. A primeira, formada por espécies herbáceas e geralmente rasteiras, caracteriza a vegetação do ambiente praial e são plantas pioneiras, mais adaptadas às condições adversas da restinga, que junto a praia são mais rigorosas, como a alta salinidade, o solo muito pobre e arenoso, a grande insolação e os fortes ventos.

Na Ilha de Santa Catarina, como no restante do litoral catarinense, a espécie Phyloxerus portulacoides (capotiraguá) é a que domina nesta faixa da restinga, tendo como espécies acompanhantes Hydrocotyles bonairensis (acariçoba), Paspalum vaginatum (grama-da-praia) e Remirea maritma (pinheirinho-da-praia). Ainda nesta zona da praia, mas fora do alcance da maré encontra-se mais comumente Ipomoea-pes-caprae (batateira-da-praia), Heleocharis geniculata (tiririca-da-praia), Sesuvium portulacastrum (beldroega-da-praia) e outras.

A vegetação mais interiorana ocorre nas dunas móveis e semi-fixas, encontra igualmente problemas de pobreza do solo, escassez de água, alta insolação, ação de ventos, além da grande mobilidade do solo das dunas. Não sofre, porém, a ação do mar como a vegetação de praia.

Nas dunas móveis e semi-fixas da Ilha ocorrem grandes associações de gramínea, onde Spartina ciliata é a espécie dominante formando grandes tufos, sendo muito importante para a fixação das areias de dunas. Outras espécies características destas associações são Panicum racemosum (gramínea), Scaevola plumieri (Goodeminaceae) e Ipomoea pes-caprae (Convolovulaceae). Ipomoea stolomifera, Canavalia maritima, Remirea marítima, entre outras também são comuns nestas áreas da restinga.

Nas dunas fixas e nas áreas arenosas planas totalmente cobertas por vegetação, encontra-se o que geralmente considera-se a "vegetação de restinga" propriamente dita. Nestas áreas, de solos mais consolidados, com mais matéria orgânica e umidade, geralmente mais afastadas do mar, ocorre a vegetação mais típica das restingas, dominada por árvores e arbustos.

As espécies mais comuns são: Guappira opposita (maria-mole), Clusia criuva (mangue-de-formi- ga), Gomidesia palustris (guamirim-de-folhas-miúdas), Nectandra megapotamica (canela-preta), Rapanea venosa (capororoca-da-praia), Dodonea viscosa (vassoura-vermelha), Aeschrion crenata (pau-amargo), Lythraea brasiliensis (aroeira-brava), Tabebuia pulcherrima (ipê-da-praia), Eugenia umbeliflora (baguaçú), Eugenia catharinae (guamirim), Eugenia uniflora (pitangueira), Myrcia multiflora (cambuí), Erythroxylum cuspidifolium (cocon) e outras. A maior ocorrência de uma ou outra espécie, assim como sua distribuição e a ocorrência de outras, depende da restinga em que ocorram.

É importante ressaltar ainda, o papel de fixação do solo exercido pela vegetação de restinga. A forma atual da Ilha de Santa Catarina deve-se à formação das restingas, que uniram as antigas ilhas que são hoje os morros da Ilha. Assim, a vegetação de restinga desempenhou e desempenha importante papel na fixação dos solos mais recentes.

As principais restingas da Ilha são as de: Naufragados, Pântano do Sul, Lagoinha do Leste, Armação, Morro das Pedras, Rio Tavares e Campeche, Joaquina, Praia Mole, Rio Vermelho, Santinho e Ingleses, Ponta das Canas, Canasvieiras, Jurerê e Daniela. Todas apresentam problemas de preservação, em diferentes níveis de gravidade, relacionados com processos de ocupação, legal ou ilegal.

A vegetação de restinga representava originalmente cerca de 7% (29,6 km2) da cobertura vegetal da Ilha, e foi desmatada em 22,4% de sua área até o ano de 1978. Este desmatamento deu-se devido aos mesmos motivos do da Mata Atlântica, tendo sido as derrubadas para a agricultura e a abertura de pastos os principais motivos (CARUSO, 1990). Mas, assim como ocorre com as outras formações vegetais da Ilha, a principal ameaça atual às restingas é a expansão urbana, na forma de ocupações ilegais ou não, loteamentos e balneários. A localização destas áreas junto ao mar aumenta a pressão de invasões devido a especulação imobiliária, propiciada pela valorização dos terrenos gerada pelo turismo.

Os dispositivos legais de proteção das restingas vão desde o Decreto 750/1993 da Mata Atlântica que também regulamenta a exploração e a supressão da vegetação das restingas, até atos de tombamento a nível municipal. As unidades de conservação que também protegem áreas de restinga são: Parque Estadual do Rio Vermelho, Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, Parque Municipal da Lagoa do Peri e Parque Municipal da Lagoinha do Leste. As áreas protegidas por atos de tombamentos municipais são: restingas da Ponta das Canas e da Ponta do Sambaqui, dunas de Ingleses e Santinho (fixas e semi-fixas), Lagoa da Conceição (móveis, fixas e semi-fixas), Armação (dunas fixas) e Campeche. Além destes dispositivos, o Plano Diretor dos Balneários de Florianópolis considera as dunas fixas, semi-fixas e móveis, como APPs (Áreas de Preservação Permanente).

 

 

Florestas das Planícies Quaternárias

 

As planícies quaternárias são as áreas arenosas planas da Ilha, formadas por sedimentos marinhos durante o período geológico do quaternário. Estas áreas formam exatamente os solos das restingas. As "Floresta das Planícies Quaternárias" ocupam áreas mais antigas deste solo, anteriormente ocupado por vegetação de restinga e que já apresentam maior quantidade e matéria orgânica, umidade e sedimentos como argila das encostas próximas.

É uma vegetação de transição entre a restinga e a Floresta Pluvial das encostas, possuindo muito mais semelhança com esta última, apesar de apresentar um número bem inferior de espécies (CARUSO, 1990).

Na Ilha de Santa Catarina predomina a espécie Calophyllum brasiliense (olandi) que domina o estrato superior (com cerca de 15 metros de altura), ocupando normalmente de 30 a 50% da cobertura deste estrato, onde ocorrem também Tapirira guianensis (cupiúva), Ficus organensis (figueira-de-folha-miúda), Coussapoa schottii (figueira-do-brejo) e Tabebuia umbellata (ipê-de-várzea). As mirtáceas Myrcia dichrophylla (guamirim-de-facho) e M. multiflora (cambuí) caracterizam o estrato médio, enquanto as palmeiras Geonoma schottiana (guaricana) e Bactris lindmaniana (tucum) ocupam o estrato arbustivo. A ocorrência de muitas bromélias no chão também caracterizam esta vegetação (BRESOLIN, 1979).

As Florestas das Planícies Quaternárias da Ilha de Santa Catarina se encontram quase totalmente destruídas, pois suas áreas de ocorrência foram praticamente todas ocupadas pela agricultura e áreas de pasto, restando atualmente apenas alguns capões isolados (CARUSO, 1990). Resta um núcleo desta vegetação no norte da Ilha, entre as praias de Jurerê e Daniela (IBAM. 1994).Segundo CARUSO (op cit.) sua área total de cobertura original foi computada juntamente com a da Floresta Pluvial das encostas, com a qual faz parte da Mata Atlântica, perfazendo ambas 74% da cobertura vegetal original da Ilha. É protegida pelos mesmos dispositivos legais de defesa da Mata Atlântica, porém, na Ilha não possui nenhum outro amparo legal específico, não ocorrendo também em nenhuma unidade de conservação.