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Mandarum pramim
Aqui a gente mostra o que manezinho escreve
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NATAL É TEMPO DE FOLIAS DE REIS Douglas Phillips Freitas*
Há pouco mais de dois milênios nasceu Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi “O Verbo Divino que habitou entre nós”, nos ensina a Bíblia com o apóstolo São João no seu Evangelho. Até hoje, passados 2.004 anos, este “ícone da história humana”, que trouxe uma nova interpretação de Deus e da própria religião, causa polêmica e até em seu nome, guerras são travadas. Como toda a dicotomia do nosso mundo, esse mesmo nome no dia 25 de dezembro de cada ano promove o amor e a paz. Neste prisma, cristãos fervorosos divulgam o nome do Santo Filho de Deus, comemorando o seu nascimento e a chegada dos três reis magos no presépio de Belém.
A história
No ano de 376, o papa Júlio I, determinou a data de 25 de dezembro como o Nascimento de Jesus Cristo. Na Roma pagã, o dia 06 de janeiro era dedicado à celebração do tríplice triunfo de Augusto César. Assim, a festa dedicada aos três Reis Magos, que tem origem na Europa, como festa religiosa que celebra a manifestação da divindade de Cristo, corresponde ao “dia da adoração dos Reis Magos ao Menino Jesus”, substituindo posteriormente a comemoração pagã. Desde o Natal, mais precisamente a partir de 20 de dezembro até 06 de janeiro, os fiéis ensaiados e com indumentárias alegóricas imitando os Reis Magos, saem de porta em porta, cantando e contando a história da visita dos três reis estrangeiros, que guiados por uma “Estrela Guia”, chegaram até o Menino Jesus. Os portugueses, que com o descobrimento, trouxeram para o Brasil e parte do nosso litoral a tradição do Terno de Reis, têm consagrado o refrão: “Ó de casa nobre gente Escutai e ouvireis Lá das bandas do oriente Chegando o Santo Reis”. A Folia de Reis no Litoral Catarinense
Por todo “o litoral brasileiro com suas variantes regionais”, segundo o folclorista Câmara Cascudo (em seu Dicionário do Folclore Brasileiro), o Terno de Reis, também chamado de Folia de Reis ou Santos Reis, é folguedo folclórico que permanece vivo em Santa Catarina, em mais de cinqüenta cidades, principalmente na Ilha de Santa Catarina (Florianópolis). Conforme o Romanceiro Açoriano, Almir Martins, da folclórica família Martins, de Imbituba, no sul do Estado, que há mais de setenta anos defendem a cultura açoriana, cantando o Terno de Reis e divulgando o folguedo em programas de rádio, jornal, apresentações, livros e CDs, o “Terno de Reis é a cantoria folclórica mais antiga que existe. Tudo no Terno de Reis lembra o número ‘três’: ‘Três’ foram os reis magos; ‘três’ os presentes (ouro, incenso e mirra); ‘três’ são os cantadores de reis (solo, repentista e o tripa); e ‘três’ são as partes do Terno de Reis (chegada, anúncio e a despedida)”, garante o poeta imbitubense, já na terceira geração de cantadores, mantendo viva a tradição dos reis.
Registra Almir Martins em seu livro “Romanceiro Açoriano”, parte de uma cantoria de reis popularizada na Ilha de Santa Catarina, cantada no Festival de Ternos de Reis organizada pela Fundação Franklin Cascaes, que acontece todos os anos no dia 06 de janeiro no centro da Capital:
Terno
de Reis
I Ó de casa nobre gente Acordais e ouvireis Lá das bandas do oriente Ta chegando o Santos Reis
II O Nosso Terno de Reis É uma tradição Divina De origem açoriana No folclore catarina
III Aqui estamos em vossa porta De baixo do seu beirado Venha nos abrir a porta Se tiver do seu agrado
IV Obrigado Dono da casa Pela vossa acolhida Pelo vosso alimento E Por essa santa bebida
V Menino Jesus nasceu Viemos anunciar Com o nosso terno de Reis Pra família se alegrar
VI O nosso Terno de Reis Agora vai viajar Pra chegar em seu destino Antes do galo cantar
(*) Advogado. escritor e pesquisador do folclore catarinense
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