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Resgatando

            

Portal do Boi-de-Mamão

 

                

Este espaço é destinado ao maior folguedo da Ilha de Santa Catarina, o "Boi de Mamão",

que a mais de 150 anos faz parte do folclore ilhéu.

Autêntica manifestação da cultura popular que faz a alegria de crianças e adultos nas festas populares

onde é presença obrigatória. Neste seção do Portal do Manezinho disponibilizamos informações da

base bibliográfica de autores e pesquisadores do assunto.

     

Folguedo

Origens

Componentes

Brincadeira

Músicas

Grupos de Boi

Bois do Brasil

Textos e Artigos

           

O folguedo do Boi-de-Mamão

 

Segundo o Dicionário Houaiss, "pantomima era o nome dado, na Roma Antiga, à representação com um  dançarino solista e um coro narrativo. Segundo o Dicionário Aurélio, é a peça que os atores se manifestam só por gestos, expressões corporais ou fisionômicas, prescindida da palavra e da música: mímica."

    

O folguedo do boi-de-mamão, no folclore catarinense, é uma das brincadeiras de maior atração popular. Existe no folclore brasileiro com os nomes mais diversos: bumba-meu-boi, boi-bumbá, boi-pintadinho, boi-de-reis, boizinho, boi da cara preta, boi-calemba, etc. Entre nós é chamado de boi-de-pano e boi-de-mamão. Antigamente o folguedo do boi era conhecido como bumba-meu-boi, depois boi-de-pano, mas, com a pressa de se fazer uma cabeça, foi usado um mamão verde, e quando foi apresentado recebeu o nome de boi-de-mamão. Nome este mantido até a época atual, onde se vêem bois com cabeças de todos os tipos, até mesmo de boi. Há quem contrarie essa versão dizendo vir o nome “boi-de-mamão” do boi que mama. 

   

Para o museólogo Gelci Coelho dos Santos, o "Peninha", estudioso da cultura açoriana na Ilha: "... Sabes [...] então eu tenho uma hipótese como apareceu, [...] que nos meses de dezembro e janeiro, no Norte do Brasil era muito quente, da festa natalina, e os senhores relaxavam as senzalas, só que as senzalas congregavam africanos de várias etnias, eles entre si não se entendiam nem na língua, nem nas culturas, mas uma coisa é universal, o culto ao touro, como símbolo de fertilidade, de vigor, é arcaico essa coisa do touro, nós vamos buscar isso em arquecivilização, essa relação homem/animal, ele é transformado num deus animal, é cultuado, [...] então é um culto universal de deificação de um animal, porque ele é suporte, garantia de força de Trabalho, de alimento, tudo, do boi não se perde nada, tudo é aproveitado em beneficio do homem, enfim então é um animal realmente sagrado [...] eles aproveitam para fazer folga, acredito eles faziam uma armação e ficavam brincando ali, faziam as batucadas, essas batucadas atraíam os índios pra ver, e os jesuítas devem ter percebido e transformado aquilo num auto para catequizar, e a coisa mais importante para a catequização é tentar falar da morte e ressurreição, que é a grande questão cristã. Então aí eles aproveitam isso e fazem o boi morrer, mas ressuscitar, pra tentar explicar o processo de ressurreição. Não sabemos, isso não foi registrado, o fato é que se brincava lá e se espalha, perde o domínio dos jesuítas, cai no gosto popular e se dilui no Norte inteiro; bumba-meu-boi, boi-bumbá, boi-estrela, boi-pintadinho, boi-calenba e vai e agora como vai aparecer aqui ainda com esse nome diferente [...]. Então tem folguedo do boi no Brasil inteiro com nomes diferentes, então eu acredito, porque tinha a guerra do Paraguai muito próxima. O Norte era convocado para a guerra, eu era convocado, mas eu mandava o meu representante, o meu escravo no meu lugar, com a promessa que dava a alforria quando terminasse a guerra."

  


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O Folguedo

         

Este folguedo catarinense é um dos filhos do Bumba Meu Boi, manifestação popular de origem nordestina, surgida por volta de 1830, como é citado em trabalho do Padre Lopes Gama, editado  em  Recife  em  1840. Chegou até nós trazida provavelmente por militares pernambucanos que aqui se aquartelaram desde a criação da província. Enquanto o Bumba Meu Boi do Norte-Nordeste tem uma apresentação mais dramática, O Boi de Mamão no sul, é menos místico e mais gracioso com coreografias mais alegres, encantando principalmente as crianças. Mesmo com o temor das investidas do Boi e a fantástica figura da Bernúnça, que sempre quer engoli-las se encantam profundamente fazendo com que seja o mais popular folguedo de nossa terra. Este folguedo teve outras denominações como: Boi de Pau, Boi de Palha, Boi de Pano e finalmente o Boi de Mamão. Esta última designação dizem vir, a partir do momento em que foi usado para fazer a cabeça do boi, um mamão verde. Será?   


 

As Origens

          

Uma versão - O nome de Boi de Mamão dizem vir do que foi usado para fazer a cabeça do  boi, um mamão verde. Isso quem afirma é o senhor João Constâncio Vieira, de  Coqueiros (Florianópolis) um dos mais antigos construtores de Boi de mamão. Ele afirma que foi na Palhocinha (região de Coqueiros) que as crianças, filhos de Dona Bilóca, usaram um mamão verde para fazer a cabeça do boi. Diz ele também que a brincadeira do boi de mamão foi criado primeiro para as crianças e depois foi que os adultos entraram na brincadeira.
Outra versão - dizem vir do termo "mamado" (bêbado, encachaçado,...), pois o pessoal costumava consumir muita aguardente antes e durante a apresentação da brincadeira.

E outra versão - o nome derivaria de quem brincava com o boi, eram  em  geral  crianças, então o boi seria mamão - aquele que mama, na mamadeira.

 

O boi de mamão só prosperou aqui na ilha e alguns municípios do litoral catarinense, porque já tínhamos a "cultura do boi" trazida e mantida por nossos ancestrais açorianos. Onde o filho via o pai e outros adultos brincarem, sejam no Boi na vara, na Farra do Boi ou Boi do Campo. Ele por ser pequeno não podia entrar na brincadeira. Foi neste terreno que o Boi de Mamão entrou para prosperar, pois somente assim o pequeno ilhéu poderia brincar com um boi, mantendo assim a tradição.  

Agradecimentos - Velho Bruxo   

  

O Registro

 

A primeira apresentação pública documentada deste folguedo foi descrita pelo professor e escritor José Arthur Boiteaux no seu livro "Águas Passadas" no ano de 1930. Diz ele que em dezembro de 1871 o então Presidente da Província de Santa Catarina, Dr. Joaquim Bandeira Gouvêa, sabedor que era da existência de um Boi de Mamão ali pelos lados do antigo Campo do Manejo, mandou seu secretário convidar o mestre vaqueiro para que trouxesse o Boi para uma apresentação em frente ao palácio do governo, o que aconteceu durante a noite. Este boi saiu de um galpão próximo do forte Santa Bárbara. Sendo que, os "Bois" mais famosos que tivemos aqui na Ilha situavam-se inicialmente em volta do antigo quartel do Campo do Manejo. O Boi como conhecemos atualmente só aprece depois de 1900, pois até estes tempos eram somente o Boi, a Cabrinha, o Cavalinho, o Vaqueiro e o Pai Mateus.

 

 

O Rítmo

 

A batida (música) também era outra, um pouco diferente da atual. Nos anos que se seguiram até os dias atuais, foram acrescentados outros elementos a este folguedo, bem como a batida sofreu influência de ritmos africanos. Os novos elementos incorporados ao folguedo foram a Maricota e a Bernúnça.
A música do Jaraguá, do Macaco, dos Ursos, do Curupira, da Caipora e de outros elementos, dependendo da região, tem quase a mesma batida, com pequenas variações nas quadrinhas - letras. Embora não exista um boi igual ao outro é o folguedo mais conhecido e mais popular de todo o estado de Santa Catarina.

 


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Os Componentes

          

O Folguedo, em resumo, conta a história de um boi que está muito doente e deve ser levado ao veterinário - Seo Doutor. Esse, com poucos remédios e sua benzedura, livra o boi da agonia da morte. Termina com sua cura e com o ginete em seu cavalinho laçando o boi. Todos os personagens dançam ao som da cantoria e com o chamador que canta os versos para chamá-los. As cantorias diferem, havendo muita improvisação por parte dos Músicos que tem no pandeiro, violão e na gaita, seus principais instrumentos musicais, bem como entre eles o Chamador que tem a responsabilidade pela cantoria. Ao lado, o Coro de vozes, acompanhando todas as melodias entoadas pelo chamador.

O Mateus e o Vaqueiro são os responsáveis por tornar a brincadeira mais divertida, pois são eles que ficam entregues as palhaçadas e a dramatização do auto. Brincadeira de boi, com um Mateus que não seja cômico, não despertará a atenção do público, pois é ele que deve improvisar o espetáculo e criar situações embaraçosas. O Seo Doutô, figura hilária onde movido a "pinga" faz o atendimento do boi adoecido sempre atrapalhado pelo cachorro e o urubu.

A Dona Maricota, com seus três metros de altura, ensina para as crianças que "tamanho não é documento", pois com seus braços longos e mãos espalmadas, vai distribuindo muitas carícias - existiram grupos onde a Maricota era personagem que zangada distribuía tapas em quem estivesse ao seu alcance. Já a Cabrinha e a Bernúnça, esta última conhecida como a que "come tudo que lhe dão", inclusive "gente", possuem coreografia própria. A Bernúnça nada mais é do que uma espécie de bicho-papão, que a maioria das crianças temem.

A Maricota e a Bernúnça foram acrescentadas ao folguedo na primeira metade do século passado, entretanto outras figuras fantasmagóricas já haviam sido introduzidas em alguns Bois-de-Mamão como a Caipora, que figurava como fantasma de assombração.

Segundo Câmara Cascudo, a Bernúnça foi introduzida em São José da terra Firme por volta de 1923, por um preto de nome Felipe Roque de Almeida, trazida por ele dos sertões de Itajaí. O "bicho" teria sido "inventado" por um indivíduo das paragens do Estaleirinho (praia) quando aquela localidade ainda pertencia ao município que procurou fazê-lo o mais grotesco possível. Dai que, antes dele exibir o bicho na dança do Boi de Mamão local, foi mostrar para sua velha tia ver. Ao mostrar a boca aberta do bicho pra velha, o susto dela foi tão grande que tremendo de nervosa esconjurou, repetindo o sinal da cruz varias vezes no peito dizendo: "Abrenúncio! (Satanás), Abrenúncio! (Satanás)." E assim, não sabia a velha senhora que acabaria de nomear o bicho de "Bernúncia" ou como diz o manezinho, "Bernúnça".

Já a Maricota, passou a ser figurante no Boi-de-mamão. Acredita-se ter sido baseada num componente circense, durante a apresentação de um circo na Ilha, na década de 20. Era esta uma mulher muito alta, que interagia com dois palhaços que a disputavam. Essa interação acontecia de uma forma bem violenta. A mulher ficava distribuindo bofetadas nos palhaços e esses tentavam fugir de seus golpes. Em alguns grupos aparece o pai João, em outros o Anão, ambos pretendentes da Maricota.

O Cavalinho, embora a maioria das pessoas não perceba, é a figura mais compenetrada em seu papel, apresentando movimentos perfeitos. Seus rodopios são calculados, seus movimentos são rápidos, boleando ou em volta do boi ou investindo sutilmente contra a platéia. O ponto culminante desse folguedo é a cena do laço. Quando o Vaqueiro laça o boi, após sua ressurreição, toda a platéia aplaude. Já o boi, que pressente o laço, corcoveia, sendo que o Vaqueiro deve envolver as aspas do boi, puxando-o para fora do salão fazendo sua retirada, antes que machuque alguém.

Os Ursos Preto, Branco e Marrom, bem como o Macaco foram elementos que agregados a brincadeira envolvem as crianças, principalmente, quando brincam em roda, no colo ou mesmo assustando a platéia. O Cachorro e o Urubu são figuras coadjuvantes que participam durante o ato da morte do boi atrapalhando o Vaqueiro, o Mateus e o Seo Doutô. Havia ainda o Marimbondo, o Curupira, que como a caipora sumiram do universo da brincadeira do boi sulista.


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A Chegada da Bicharada

     

A cantoria e os músicos vão na frente, seguidos do boi, cavalinho, cabra, bernúnça e as outras figuras. O grupo vem vindo, o chamador diversificando os versos e a cantoria, respondendo em coro, até chegar ao lugar da apresentação. Defronte a casa forma-se um grande círculo com cantadores, músicos e espectadores. Os bichos ficam um pouco retirados do círculo. Os instrumentos tocam, o Vaqueiro e o Mateus surgem no meio do círculo para dançar, e o chamador entoa a musica do boi. O boi entra no meio do círculo com sua dança, rodopia, ameaça investir contra os presentes e brinca com o Mateus e o vaqueiro até que para no centro e fica estático, parecendo morto. Entra em cena o doutor, que bate nas costas do boi, levanta o rabo, examina e sacode o boi. Tira da maleta um ramo de erva, um vidro de água, despeja na boca do boi e o benze. O doutor manda que o Mateus fique com o ouvido encostado na testa do boi para escutar se ele geme e, ao Vaqueiro, é ordenado dar um sopro abaixo da cola do boi. O boi, ao sentir o sopro, dá uma guinada para frente, jogando o Mateus no chão. O doutor diz que o boi está melhorando e benze outra vez. Aí forma-se uma confusão entre o Vaqueiro e o Mateus pra entregar o dinheiro, até que finalmente o doutor pega as notas e as guarda na maleta. Entra o cavalinho que laça o boi e retira-o do salão. Entram em cena os demais componentes da brincadeira cada qual acompanhada de seu tema musical até a retirada do último componente. Ao final é realizado desfile geral e agradecimentos finais dando assim encerramento ao espetáculo.

De alguns anos para cá a brincadeira sofreu mudanças na entrada - inicia e termina com desfile geral, e a inclusão da Benzedeira na brincadeira logo após a tentativa em vão do Seo Doutô. Com as apresentações fechadas em ginásios, quadras e arenas, em eventos empresariais ou escolares, mesmo em festas populares onde acontece a maioria das apresentações, as transformações foram uma forma de ajustar a encenação a espaços antes abertos para ambientes reduzidos.

   


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Os Temas Musicais

       

Temas do boi-de-mamão

"Coral Hélio Teixeira da Rosa"

    

    

Introdução: Chamador e Coro

Tema de Entrada - Desfile da Bicharada

ASSOCIAÇÃO FOLCLÓRICA BOI DE MAMAO-DE-ITACORUBI

       

Coro

Vamos baianinha / Vamos passear / Vamos lá na vila / Pra ver meu boi brincar.

    

Chamador improvisa

Lá em cima daquele morro / Vem um tucano avoando / Se o bico vem escrevendo / As asas vêm apagando.

    

Coro

Vamos baianinha / Vamos passear / Vamos lá na vila / Pra ver meu boi brincar.

 

Chamador

Mandei fazer um laço / Do couro da cotia / Pra laçar meu boi barroso / Em pingo do meu dia.

 

Coro

Vamos baianinha / Vamos passear / Vamos lá na vila / Pra ver meu boi brincar.

  

Chamador

Mandei fazer um laço / Do couro do jacaré / Pra laçar meu boi barroso / No cavalo pangaré.

Oh senhor mestre vaqueiro / Face sua obrigação / Vá buscar o boi oh! Maninho / E dança bem ligeiro.

O coro repete

 

Chamador

O meu boi malhado aí / Ele é corriqueiro / Espalha bem o povo oh! Maninho / E dança bem ligeiro.

O meu boi chegou, aí / Ele vai dançar / O dono da casa, oh! Maninho / Vá cumprimentar.

O coro repete

 

Chamador

O meu boi malhado aí / Ele é corriqueiro / Espalha bem o povo oh! Maninho / E dança bem ligeiro.

Meu boi tá doente / Chame seu doutor / Pra benzer o boi, oh! Maninho / Que ele tá com dor.

   Este boi tá doente / Um purgante vai tomar / Depois vou benzer ele / Que é pra ele miorá.

 

A benzedura: Doutor ou benzedeira ou Mateus

Eu benzo esse boi / Com raminho de arueira / Pra tirá a diarréia / E também a bicheira.

 Eu benzo meu boi / Com galinho de alecrim / Senhor dono da casa / Peça um dinheirinho pra mim.

 

Chamador

 Levanta meu boi, ai / Levanta devagar / Venha pro terreiro, oh! Maninho / Outra vez brincar.

  

   

 

CAVALINHO

Tema do Cavalinho

ASSOCIAÇÃO FOLCLÓRICA BOI DE MAMAO-DE-ITACORUBI

  

 Chamador

O meu cavalinho, ai / Cavalo picaço / Venha pro salão, oh! Maninho / E bota o boi no laço.

O coro repete

 

Chamador

O meu cavalinho, ai / Cavalo alazão / Bota o boi no laço, oh! Maninho / Tira do meio do salão.

 

Chamador

O meu cavalinho / Ele já chegou / O dono da casa / Não cumprimentou.

O coro repete

  

  

                 

BOI

Tema do Boi

ASSOCIAÇÃO FOLCLÓRICA BOI DE MAMAO-DE-ITACORUBI

                   

Chamador: Olá mestre vaqueiro / Você me preste atenção.

 Coro: Olé, olá  etc. / Nosso boi quer vadiá.

     

Chamador: Vá buscar meu boi malhado / Traga pro meio do salão.

 Coro: Olé, olá  etc. / Nosso boi quer vadiá.

  

Chamador: É hora de nós brincá / Mas tá chegando a ocasião.

 Coro: Olé, olá  etc. / Nosso boi quer vadiá.

  

Chamador: Esse nosso boi malhado / É brabo como leão.

 Coro: Olé, olá  etc. / Nosso boi quer vadiá.

    

Chamador: Meia volta, meia volta / Bota o vaqueiro no chão.

Coro: Olé, olá  etc. / Nosso boi quer vadiá.

     

Chamador: Ó meu cavalinho / Pode preparar / Entra no terreiro / Quando eu te chamar.

 Coro: Entra no terreiro / Quando eu te chamar.

    

Chamador: Ó meu cavalinho / Ele já chegou / O dono da casa / Não cumprimentou.

 Coro: Olé, olá, etc. / Nosso boi quer vadiá.

     

Chamador: Bota logo de repente / Que é chegada a ocasião.

 Coro: Olé, olá, etc. / Nosso boi quer vadiá.

      

Chamador: Olha lá mestre vaqueiro / Vai fazer a benzedura.

 Coro: Olé, olá, etc. / Nosso boi quer vadiá.

     

Chamador: Para ver o resultado / Na doença ou na ventura.

 Coro: Olé, olá, etc. / Nosso boi quer vadiá.

      

Chamador: O ginete do cavalo / Onde é que ele está?

 Coro: Olé, olá, etc. / Nosso boi quer vadiá.

      

Chamador: Vai o laço preparando / Quando o boi se levantá.

 Coro: Olé, olá, etc. / Nosso boi quer vadiá.

    

Chamador: Ó meu cavalinho / Ele já chegou / O dono da casa / não cumprimentou

Coro: O dono da casa / não cumprimentou

     

Chamador: Este meu cavalo / Vem lá de fora / Bota o boi no laço / Está chegando a hora.

Coro: Bota o boi no laço / Está chegando a hora.

         

Chamador: Ó meu cavalinho / Me preste atenção / Bota o boi no laço / E deixa o salão.

Coro: Bota o boi no laço / E deixa o salão.

        

Chamador: Ó meu cavalinho / Escutai o meu cantar / Laça o boi ligeiro / Vamos apreciar.

 Coro: Laça o boi ligeiro / Vamos apreciar.

        

Chamador: Ó meu cavalinho / Não quero demora / O boi tá no laço / Nós vamos embora

 Coro: O boi tá no laço / Nós vamos embora.

 

                

CABRA

Tema da Cabrinha

ASSOCIAÇÃO FOLCLÓRICA BOI DE MAMÃO DO ITACORUBI

 

Chamador: Olha lá mestre vaqueiro.

Coro: Ei cabra, ei cabra

         

Chamador: Arrepara o meu cantar.

Coro:  Ei cabra, ei cabra

        

Chamador:  Vai buscar a tua cabra.

Coro: Ei cabra, ei cabra

        

Chamador:  Vai buscar ela pra cá.

Coro: Ei cabra, ei cabra

         

Chamador:  Traga pro meio do terreiro.

Coro: Ei cabra, ei cabra

        

Chamador:  Quero ver ela berrar.

Coro: Ei cabra, ei cabra

       

Chamador:  Dá um pulo e dá um berro.

Coro: Ei cabra, ei cabra

       

Chamador:  Para o povo apreciar.

Coro: Ei cabra, ei cabra

        

Chamador:  Olha lá mestre vaqueiro.

Coro: Ei cabra, ei cabra

         

Chamador:  Você me preste atenção.

Coro: Ei cabra, ei cabra

            

Chamador:  Traga a cabra no pescoço.

Coro: Ei cabra, ei cabra

         

Chamador:  Dá uma volta no salão.

Coro: Ei cabra, ei cabra

        

Chamador:  Quero ver a minha cabra.

Coro: Ei cabra, ei cabra

     

Chamador:  O vaqueiro procurar.

Coro: Ei cabra, ei cabra

     

Chamador:  Olha lá o vaqueiro na frente.

Coro: Ei cabra, ei cabra

     

Chamador:  Quero ver o lado de lá.

Coro: Ei cabra, ei cabra

      

Chamador:  Olha lá mestre vaqueiro.

Coro: Ei cabra, ei cabra

       

Chamador:  Tá chegando a hora.

Coro: Ei cabra, ei cabra

      

Chamador:  Tire o bicho do salão.

Coro: Ei cabra, ei cabra

      

Chamador:  Eu te ajudar.

Coro: Ei cabra, ei cabra

     

Chamador:  E bancar o gavião.

Coro: Ei cabra, ei cabra

   

Coro:

Ô vaqueiro traz a cabrinha / Minha cabrinha danada / Ou que bichinho malvado / Minha cabrinha adorada

Dá um berro bem forte / Minha cabrinha do norte. / O coro repete em cada estrofe: / Ei cabra, ei cabra.

  

           

     

URSO

Tema do Urso

ASSOCIAÇÃO FOLCLÓRICA BOI DE MAMÃO DE ITACORUBI

 

Chamador: Olha lá mestre vaqueiro / Escuta o meu cantar / Vai buscar o bicho urso / No salão pode dançar.

Coro: Ai, ai, ai. Nosso urso já chegou / Ai, ai, ai. Nosso urso é dançador.

   

Chamador: Deixa o bicho solto / Quero ver ele dançar / Cuidado rapaziada / Pro bicho não te pegar.

Coro: Ai, ai, ai. Nosso urso já chegou / Ai, ai, ai. Nosso urso é dançador.

   

Chamador: O urso é bicho brabo / E medo é que não tem / Ele não corre perigo / Quando está na corrente.

Coro: Ai, ai, ai. Nosso urso já chegou / Ai, ai, ai. Nosso urso é dançador.

 

Chamador: Olha lá mestre vaqueiro / Escutai o meu cantar / O bicho este está solto / É hora de amarrar.

Coro: Ai, ai, ai. Nosso urso já chegou / Ai, ai, ai. Nosso urso é dançador.

  

Chamador: Olha lá mestre vaqueiro / Você me preste atenção. / Pegue a corrente do bicho / Amarre ele no salão.

Coro: Ai, ai, ai / Nosso urso já chegou / Ai, ai, ai / Nosso urso é dançador.

  

Chamador: Olha lá mestre vaqueiro / Escutar o meu cantar / Bota o bicho na corrente / Que é hora de tirar.

Coro: Ai, ai, ai. Nosso urso já chegou / Ai, ai, ai. Nosso urso é dançador.

   

Chamador: Agora chegou a hora / Nós vamos arretirar / O bicho está na corrente / Perigo nunca vai dar.

Coro: Ai, ai, ai. Nosso urso já chegou / Ai, ai, ai. Nosso urso é dançador.

   

Chamador: Senhor mestre vaqueiro / Você me preste atenção. / Bote a corrente no bicho / Tire o bicho do salão.

Coro: Ai, ai, ai. Nosso urso já chegou / Ai, ai, ai. Nosso urso é dançador.

   

   

         

BERNUNÇA

Tema da Bernúnça

ASSOCIAÇÃO FOLCLÓRICA BOI DE MAMÃO DE ITACORUBI

  

Coro: Olé, olé, olé, olé, olá / Arreda do caminho / Que a bernúncia quer passar.

  

Chamador: A bernúncia é bicho brabo / Eu lhe digo porque é / Cuidado com esse bicho / Só dá de morder mulher.

Coro: Olé, olé, olé, olé, olá / Arreda do caminho / Que a bernúncia quer passar.

    

Chamador: Ó senhor mestre vaqueiro / Escutai o meu cantar / Vá arrumar um menino / Pro bichinho mastigar.

Coro: Olé, olé, olé, olé, olá / Arreda do caminho / Que a bernúncia quer passar.

    

Chamador: A bernúncia é bicho brabo / Quando ela vai comer / Chega no meio do salão / Remói se tudo vê.

Coro: Olé, olé, olé, olé, olá / Arreda do caminho / Que a bernúncia quer passar.

     

Chamador: O bicho já comeu / Agora sua refeição / Olha lá mestre vaqueiro / Faz a volta no salão.

Coro: Olé, olé, olé, olé, olá / Arreda do caminho / Que a bernúncia quer passar.

   

Chamador: Ó mestre vaqueiro / Escutai o meu cantar / O bucho está na corrente / Já pode se arretirar.

Coro: Olé, olé, olé, olé, olá / Arreda do caminho / Que a bernúncia quer passar.

     

Chamador: A bernúncia vai embora / Ela deixa de saudar / Ela vai no meio daqueles./ que acabam de amarrar.

Coro: Olé, olé, olé, olé, olá / Arreda do caminho / Que a bernúncia quer passar.

   

        

        

MARICOTA

Tema da Maricota

ASSOCIAÇÃO FOLCLÓRICA BOI DE MAMÃO DE ITACORUBI

  

Chamador: Fizemos um baile de ê / Fizemos um baile de cá / Está chegando a hora / De dançar a maricota.

Coro: Está chegando a hora / De dançar a maricota.

       

Chamador: A minha maricota / É moça delicada / Dança no meio da sala / Fazendo seu rebolado.

Coro: Dança no meio da sala / Fazendo seu rebolado.

        

Chamador: A minha maricota / É moça de estimação / Todo mundo bate palmas / Quando entra no salão.

 Coro: Todo mundo bate palmas / Quando entra no salão.

       

Chamador: Ó Senhor mestre Mateus / Escutai o meu cantar / Traga a moça pela mão / Quando ainda pode desfilar.

 Coro: Traga a moça pela mão / Que ainda pode desfilar.

       

Chamador: Chamo mestre Mateus / Vaqueiro faz a união / Dá uma volta em roda / Leva a moça pela mão.

 Coro: Dá uma volta em roda / Leva a moça pela mão.

       

Chamador: A minha maricota / Ela vai se arretirar / Mateus e o vaqueiro / Deixa o povo apreciar.

 Coro: Mateus e o vaqueiro / Deixa o povo apreciar.

      

Chamador: Fizemos um baile ê / Fizemos um baile de cá / Está chegando a hora / De dançar a maricota.

Coro: Está chegando a hora / De dançar a maricota.

  

              

RETIRADA

Tema da Retirada

ASSOCIAÇÃO FOLCLÓRICA BOI DE MAMÃO DE ITACORUBI

       

Chamador: Ô senhor mestre da sala / Olê lê escutai o meu cantar.

 Coro: Nosso boi vai embora olê lê / Ou brinca ou meu boi ôi á.

   

Chamador: Ô senhor me dá licença / Olê lê que quero me retirar.

 Coro: Nosso boi vai embora olê lê / Ou brinca ou meu boi ôi á.

   

Chamador: No meio de tanta gente / Olê lê agora quero cantar.

 Coro:O nosso boi vai embora / Olê lê ou brinca ou meu boi ôi á.

   

Chamador: Pedimos licença a todos / Olê lê agora vamos descansar.

 Coro: Nosso boi vai embora olê lê /Ou brinca ou meu boi ôi á.

   

Chamador: Senhor mestre da sal / Olê lê cuidado muita atenção.

  Coro: Nosso boi vai embora olê lê / Ou brinca ou meu boi ôi á.

  

Chamador: Fazemos a meia lua / Olê lê saímos deste salão.

  Coro: Nosso boi vai embora olê lê / Ou brinca ou meu boi ôi á.

     

  

Agradecimentos a Associação Folclórica Boi-de-Mamão do Itacorubi pelas partituras e músicas.

 


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Grupos de Boi de Mamão

Entidades Folclóricas de Boi de Mamão

    

Boi de Mamão Nosso Boi na Rua do Rio Vermelho
Boi de Mamão Esperança da Lagoa da Conceição
Boi de Mamão Francolino da Vargem Pequena
Boi de Mamão Alevanta meu Boi dos Ingleses
Boi de Mamão da Vargem Grande
Boi de Mamão da Costa da Dentro
Boi de Mamão da Escola da Barra da Lagoa
Boi de Mamão do Itacorubi
Boi de Mamão do Pantanal
Boi de Mamão do Jurerê
Boi de Mamão do sambaqui
Boi de Mamão do Campeche
Boi de Mamão da Vargem Grande
Boi de Mamão da Barra do Aririú
Boi de Mamão Governador Celso Ramos

Boi de Mamão Filhos da Terra da Barra do Aririú